quarta-feira 1 de abril

Defesa da Democracia em Tempos de Ameaça

No último dia 31, a Câmara Municipal do Recife realizou uma audiência pública em comemoração aos 62 anos do Golpe Militar que instaurou a ditadura civil-militar no Brasil. Durante o evento, Liana Cirne, ativista e defensora dos direitos humanos, ressaltou a importância de recordar esse período sombrio da história do país. “É fundamental que a gente lembre a ditadura civil militar brasileira para que ela nunca se repita. Precisamos demarcar o espaço da democracia, lembrando e lutando para que ela permaneça de pé, especialmente em tempos de tantas ameaças, como a tentativa de golpe de janeiro de 2023”, afirmou Cirne.

A audiência foi marcada por uma vigília que incluiu a exposição de cartazes com fotos de militantes assassinados durante os anos 70. Faixas do Fórum da Anistia e do Conselho Municipal de Direitos Humanos e Segurança Cidadã do Recife pediam a punição dos torturadores, além de clamar por uma cidade mais segura, especialmente para as mulheres. O evento também contou com leitura de poemas e discursos que enfatizavam a importância da democracia e da memória coletiva.

Memória e Justiça: O Legado do Passado

Marcelo Santa Cruz, gerente de Articulação de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos do Recife, fez questão de recordar episódios marcantes do período militar na capital pernambucana. Ele é irmão de Fernando Santa Cruz, estudante de Direito desaparecido político em 1974, e destacou a necessidade de contar essa história para evitar que se repita. “É importante ter uma política de memória e verdade, pois essa é a luta pela democracia. Lutar pela memória é garantir que os horrores do passado não voltem a acontecer”, declarou Santa Cruz.

Amparo Araújo, ativista e fundadora do Movimento Tortura Nunca Mais de Pernambuco, também se pronunciou. Ela enfatizou que eventos simbólicos como a vigília realizada na Câmara são essenciais para construir uma política de memória e fortalecer a identidade do povo pernambucano. “Que possamos, um dia, ter uma sociedade justa e igualitária, pois um país sem memória e identidade jamais será uma nação”, pontuou Araújo.

Propostas de Memória e Justiça

Edival Nunes Cajá, ex-preso político e coordenador do Comitê Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia, compartilhou suas experiências durante a ditadura e propôs a criação de um circuito da memória na cidade. “Passei por cinco presídios em locais diferentes e gostaria de ver placas nesses lugares”, sugeriu. Cajá também pediu a substituição de nomes de logradouros públicos que homenageiam figuras ligadas ao regime militar, propondo que sejam rebatizados em homenagem a personalidades como Dom Helder, Gregório Bezerra e Manoel Aleixo, que dedicaram suas vidas à luta por um Brasil livre e democrático.

Dentre os que também subiram ao palco para compartilhar suas reflexões estavam Manoel Moraes, do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDHEC); Nara Santa Cruz, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB-PE; e Thiago Santos, presidente do Conselho de Direitos Humanos da Cidade do Recife. A mesa foi enriquecida com as contribuições de Malu Aléssio, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB; Maicon Ferreira, da Associação Pernambucana de Anistiados Políticos; e padre Fábio Potiguar, do Fórum dos Comitês da Memória e Verdade do Nordeste. Também participaram José Soares, da página História em Retalhos, e Oseas Borba, do Grupo João Teimoso.

O evento se encerrou com um apelo à preservação da memória histórica, essencial para fortalecer a democracia no Brasil. O público foi convidado a acompanhar a cobertura completa da audiência pública pelo canal de YouTube da TV Câmara do Recife.

Exit mobile version