Ranking ABES de 2025 e a Realidade do Saneamento em Pernambuco
A nova edição do Ranking ABES da Universalização do Saneamento, referente a 2025, revela que o Brasil ainda enfrenta uma longa jornada para alcançar as metas de atendimento total à sua população. O estudo, que abrange 2.483 municípios e representa aproximadamente 80% da população brasileira, avalia cinco indicadores essenciais: abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, além da coleta e destinação correta de resíduos sólidos. No contexto nacional, um expressivo 74,22% das cidades se encontram na categoria “Empenho para universalização”, o que ressalta que, apesar dos esforços realizados, a infraestrutura básica ainda é insuficiente para a maioria dos brasileiros. A capital de Pernambuco, Recife, foi classificada na mesma categoria, apresentando uma pontuação total de 396,29.
Recife se destaca na gestão de resíduos sólidos, alcançando uma cobertura de coleta de 98,39% e 100% de destinação final adequada. Contudo, o principal desafio se concentra no esgotamento sanitário: apenas 41,59% da população está conectada a uma rede coletora de esgoto. No que diz respeito ao abastecimento de água, 82,01% da população é atendida, enquanto o tratamento de esgoto, relacionado à água consumida, chega a 74,30%.
Impactos na Saúde Pública e Cenário no Estado
A precariedade na infraestrutura de saneamento reflete-se diretamente na saúde pública. Em 2023, Recife registrou 64,97 internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) para cada 100 mil habitantes. O estudo da ABES destaca que, em âmbito nacional, a menor acessibilidade ao saneamento está associada a um aumento das internações, que incluem condições como diarreias e hepatite A.
No contexto estadual, a maioria dos municípios pernambucanos se posiciona na categoria intermediária de desempenho. Cidades de grande porte, como Olinda (375,15), Caruaru (384,67) e Paulista (359,34), apresentam resultados na categoria “Empenho para universalização”. Por outro lado, locais como Jaboatão dos Guararapes (324,41) e Petrolina (317,40) têm pontuações mais baixas dentro dessa mesma faixa. No extremo inferior do grupo das grandes cidades estão Camaragibe (269,79) e Igarassu (275,21).
Em relação aos municípios de pequeno e médio porte, Fernando de Noronha (415,63) e Exu (413,19) se destacam com boas pontuações, ambos também incluídos na categoria “Empenho para universalização”. Em contrapartida, algumas localidades ainda estão nos “Primeiros passos para a universalização”, com pontuações abaixo de 200, como Casinhas (189,12), Betânia (199,63) e Santa Cruz (197,47).
Desigualdade Regional e Importância do Planejamento
O panorama nacional evidencia uma acentuada disparidade regional. Enquanto as regiões Sudeste e Sul abrigam municípios na categoria mais elevada, “Rumo à universalização” (com pontuações acima de 489), as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste não incluem representantes nessa faixa máxima. Curitiba (PR) é a única capital brasileira a alcançar o topo do ranking.
Um ponto crucial que a ABES destaca é a relação entre planejamento e eficiência. Municípios que implementam o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) tendem a apresentar indicadores superiores. Entre as cidades na categoria “Rumo à universalização”, 84,13% contam com o PMSB, enquanto apenas 55,19% dos municípios classificados como “Primeiros Passos” possuem esse plano.
Assim, a análise detalhada do saneamento em Pernambuco, e particularmente o destaque de Exu, mostra não apenas os avanços já alcançados, mas também a necessidade de ações contínuas para enfrentar os desafios remanescentes e garantir um futuro mais saudável para a população.

