A Crítica à Infraestrutura Pernambucana
Há duas semanas, uma análise sobre a estagnação dos projetos estratégicos no estado de Pernambuco trouxe à tona uma série de questões que, há tempos, carecem de soluções eficazes. Em um panorama que vai do Sertão até o litoral, identificamos cinco demandas prioritárias que refletem uma gestão deficiente. Primeiro, destacamos o congestionamento constante da BR 232, especialmente no trecho entre Arcoverde e São Caetano, além da má conservação das estradas que ligam Recife a São Caetano. Segundo, a ferrovia Transnordestina, com 180 quilômetros de trilhos, enfrenta uma degradação alarmante após dez anos de instalação. Em terceiro lugar, a carência de sistemas de abastecimento de água potável nas cidades de médio porte do Agreste e do Sertão persiste, apesar dos investimentos feitos nas últimas décadas. Em quarto, as dificuldades para o transporte de cargas do oeste e do norte do estado até o Porto de Suape são agravadas pela falta de um anel viário na região metropolitana. Por último, o metrô do Recife atravessa uma crise sem precedentes, com frequentes paradas e a perda total de uma composição que pegou fogo durante a operação.
Esses problemas não são novos. Eles são o resultado de décadas de paralisia administrativa e política. A exceção se deu na primeira década deste século, com a duplicação da BR 232 e a instalação de indústrias como a Refinaria Abreu e Lima e a fábrica da Stellantis em Goiana. Contudo, o cenário geral voltou a se deteriorar ao longo dos anos, refletindo um declínio nas iniciativas de investimento.
Boas Novas em Pernambuco
Recentemente, uma série de anúncios trouxe um sopro de esperança para a recuperação econômica do estado. Iniciaram as obras do segmento sul do Arco Metropolitano, uma via que promete conectar o Complexo Suape à BR 232, eliminando a necessidade de utilizar a BR 101 e diminuindo consideravelmente o tempo de transporte de cargas. Além disso, a duplicação da BR 232 entre São Caetano e Serra Talhada, num total de aproximadamente 270 quilômetros, está em processo, melhorando a infraestrutura viária. O governo estadual está priorizando esses projetos, que, espera-se, não sofram atrasos indesejados.
Outro ponto positivo é o reinício das obras da Transnordestina, que deverá conectar o interior do estado ao litoral, um avanço logístico significativo. Finalmente, um investimento de 4 bilhões de reais para recuperar o metrô do Recife foi anunciado, com a possibilidade de privatização ou transferência de gestão para o governo estadual, evidenciando o papel do governo federal em revitalizar iniciativas essenciais.
A Importância da Sociedade Civil
Entidades da sociedade civil também têm se destacado no reposicionamento dos investimentos públicos em Pernambuco. O CREA-PE, por exemplo, tem promovido debates construtivos sobre os projetos citados. Organizações empresariais, como a Federação das Indústrias e a Fecomércio, têm contribuído para a discussão e a promoção de uma agenda de desenvolvimento.
No entanto, do ponto de vista político, ainda é possível notar a falta de um movimento coordenado entre as bancadas da Câmara e do Senado, bem como na Assembleia Legislativa do Estado (Alepe). Isso contrasta com o que se observa em outros estados nordestinos, como o Ceará, que têm demonstrado uma articulação mais eficiente.
Construindo um Futuro Sustentável
À medida que as obras estão em andamento, é imperativo que um planejamento estratégico robusto seja implementado. Isso inclui identificar quais obras complementares são necessárias para fortalecer cadeias produtivas, como a fruticultura irrigada do São Francisco e a avicultura do Agreste, que podem se beneficiar diretamente das melhorias logísticas. O Porto de Suape, por exemplo, deve ser novamente considerado uma opção viável para a exportação de frutas.
A integração logística também pode permitir um crescimento significativo da avicultura, conectando o setor diretamente aos mercados externos. Adicionalmente, a cadeia de suprimentos envolvendo combustíveis e materiais de construção deve ser otimizada, resultando em redução de custos e maior eficiência em todo o estado.
Outro setor a ser considerado é o gesso, que, apesar de seu potencial, enfrenta desafios relacionados à energia e ao uso sustentável de recursos. A falta de atenção a esses pontos pode limitar significativamente os benefícios que o estado pode oferecer neste nicho.
Atraindo o Turismo e Valorizando a Cultura Local
Finalmente, a força do turismo no interior de Pernambuco não pode ser subestimada. O estado possui riquezas naturais e culturais que atraem visitantes. A duplicação e recuperação de rodovias, juntamente com investimentos em aeroportos, podem transformar a região semiárida em um destino turístico popular. A história e as tradições de Pernambuco, com personagens icônicos e eventos culturais, têm um apelo inegável.
Em resumo, Pernambuco está em um momento decisivo. Com um panorama que apresenta tanto desafios quanto oportunidades, é crucial que as autoridades e a sociedade civil colaborem para garantir que as melhorias estruturais se traduzam em benefícios tangíveis para todos. O estado não pode se dar ao luxo de deixar essas oportunidades passarem despercebidas.

