Transformando Vidas com Tecnologia e Dedicação
A Oficina de Próteses da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) é uma referência em reabilitação na cidade de São Paulo, localizada na Avenida Professor Ascendino Reis, no Ibirapuera, zona sul. Este espaço destaca-se pela produção de órteses, próteses, coletes, capacetes, palmilhas e adaptações para cadeiras de rodas sob medida, oferecendo dispositivos essenciais para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao adentrar o local, é possível perceber um ambiente que remete a uma oficina mecânica, onde o cheiro de óleo e o barulho das furadeiras se tornam parte do cotidiano. A estrutura é dividida em diversos setores, incluindo a área de moldagem e fabricação de órteses, o setor de cadeiras de rodas e uma sala dedicada a impressoras 3D, que desempenham papel crucial na produção de dispositivos personalizados.
No setor de próteses, são confeccionados diferentes tipos de dispositivos, como as próteses transtibiais, que atendem amputações abaixo do joelho, as transfemorais, para amputações na altura da coxa, e as de desarticulação de quadril, quando a amputação ocorre na parte superior do quadril.
Outro ponto forte da oficina é o setor de usinagem, que conta com computadores modernos equipados com softwares que auxiliam na fabricação das órteses e das espumas utilizadas nas cadeiras de rodas. Esses sistemas transformam imagens em modelos matemáticos, permitindo que sejam gerados comandos precisos para as máquinas, ajustando o formato dos dispositivos às necessidades individuais de cada paciente.
Além das áreas de produção, a oficina possui estações para acabamento e testes rigorosos. Nenhum aparelho é liberado antes de passar por uma avaliação minuciosa, garantindo que cada produto atenda a todos os requisitos de qualidade e confortabilidade. Assim, os pacientes recebem um acompanhamento contínuo e personalizado.
Como Obter uma Prótese pelo SUS
Para aqueles que desejam uma prótese pelo sistema público de saúde, o primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A partir daí, o paciente é encaminhado para um Centro Especializado em Reabilitação (CER). No estado de São Paulo, o encaminhamento é feito para a Rede de Reabilitação Lucy Montoro, que é coordenada pelo Hospital das Clínicas, onde os pacientes recebem as órteses e próteses necessárias, conforme seus diagnósticos.
Em nível municipal, o processo inclui moldagem, provas e entrega, realizados em parceria com empresas contratadas pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS). São vários os CERs disponíveis na capital, como os de Tucuruvi, Milton Aldred, M’Boi Mirim, Ermelino Matarazzo e Flávio Gianotti, além do convênio com a AACD.
O acompanhamento dos pacientes não termina com a entrega das próteses. O tratamento continua com sessões regulares, conforme o plano terapêutico de cada um. Além da unidade do Ibirapuera, a AACD conta com outras filiais em cidades como Osasco (SP), Porto Alegre (RS), Uberlândia (MG) e Recife (PE), todas funcionando desde 1962 e comprometidas com a reabilitação de pacientes através de soluções personalizadas que visam melhorar a mobilidade e qualidade de vida.
Inovação e Eficiência
A oficina de próteses da AACD não só se destaca pela sua capacidade de produção, mas também pela adoção do Sistema Toyota de Produção (TPS), uma filosofia que visa a excelência e eficiência nos processos. Com essa metodologia, a oficina conseguiu aumentar em 30% a capacidade de produção de cadeiras de rodas e próteses.
Em 2024, as oficinas entregaram um total de 62.471 produtos ortopédicos, sendo 9.705 deles próteses. Notavelmente, 88% dos atendimentos realizados foram através do SUS, enquanto 12% foram feitos de forma privada. Na unidade da AACD em Ibirapuera, 63% dos atendimentos foram via rede pública e 37% particular.
A Paraoficina Móvel e o Desafio Financeiro
Em 2019, a AACD lançou a Paraoficina Móvel, que oferece gratuitamente serviços de manutenção e higienização de cadeiras de rodas, órteses, próteses e outros meios auxiliares de locomoção, como muletas e andadores. Os atendimentos ocorrem em 10 Centros Especializados em Reabilitação (CERs) em São Paulo, abrangendo vários bairros.
Apesar de oferecer 80% de seus atendimentos pelo SUS, a AACD enfrenta desafios financeiros. O custo médio de um atendimento na instituição é de R$ 128,71, enquanto o valor repassado pelo SUS gira em torno de R$ 10,65. Esse descompasso resulta em um déficit anual significativo de R$ 94 milhões, evidenciando a importância de apoio e conscientização sobre as necessidades financeiras da instituição.

