Rejeição de Pedidos de Informação e a Questão da Transparência
Nos últimos três anos, um em cada três pedidos de informações feitos aos ministérios e instituições públicas ligadas ao governo federal foram negados, sob a alegação de sigilo. Essa realidade levanta importantes questões sobre a transparência da administração pública e o acesso à informação. Em contrapartida, a Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pela fiscalização e análise de recursos de pedidos de informação, destacou em nota que o governo brasileiro mantém um alto nível de concessão, superando indicadores de anos anteriores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao entrar em um ano eleitoral, parece capitalizar politicamente uma agenda que abrange tanto questões nacionais quanto internacionais, reforçando sua imagem como defensor da soberania brasileira. Essa nova abordagem contrasta com o contexto de 2025, quando enfrentou uma série de crises de imagem, especialmente relacionadas à disseminação de notícias falsas sobre o sistema de pagamentos Pix, o que proporcionou à oposição uma vantagem na discussão de temas econômicos.
Desafios e Crises no Horizonte
O início do ano traz à tona novos desafios, incluindo a crise na Venezuela e investigações que envolvem um dos filhos do presidente. Ademais, a construção de alianças em colégios eleitorais cruciais, como Minas Gerais, ainda está indefinida. Em dezembro do ano passado, investigações da Polícia Federal revelaram que uma empresária próxima de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria recebido R$ 300 mil a pedido do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido como Careca do INSS.
A oposição tenta vincular esse caso a um dos principais escândalos que o governo enfrenta, ou seja, os desvios nos benefícios destinados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em resposta a essas alegações, Lula se posicionou favoravelmente às investigações, afirmando que, se seu filho estiver envolvido, deve ser responsabilizado.
Relações Internacionais e a Questão da Soberania
A conjuntura política também é permeada por embates com os Estados Unidos, que começaram com medidas protecionistas e a imposição de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Essa situação permitiu a Lula retomar a narrativa da soberania nacional, que era predominantemente articulada pela direita brasileira. Durante as divergências entre Brasil e EUA, muitos aliados políticos de Lula pareciam ter se alinhado à administração do ex-presidente Donald Trump.
Trump utilizou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no STF como justificativa para a sobretaxa de produtos brasileiros, recebendo suporte de Eduardo Bolsonaro. Utilizando as retaliações como um argumento para absolver seu pai, o ex-deputado foi acusado de sabotar a economia brasileira, enfraquecendo seu discurso nacionalista que antes era a principal bandeira de seu pai e seus aliados.
As ações do governo Lula têm contribuído para uma recuperação em sua popularidade. Durante as negociações com os EUA, Trump suavizou sua postura, passando a elogiar publicamente o presidente brasileiro. Contudo, a relação entre os dois países passa por um período de instabilidade, especialmente após a recente intervenção dos EUA na Venezuela. Apesar de não reconhecer a eleição de Nicolás Maduro em 2024, a proximidade entre o governo brasileiro e o venezuelano tem sido aproveitada pela oposição para criticar Lula e acusá-lo de apoiar regimes autoritários.

