Prioridade em Alianças e Fortalecimento do Legislativo
Com a dificuldade em estabelecer um projeto político hegemônico, tanto o Partido dos Trabalhadores (PT) quanto o Partido Liberal (PL) estão preferindo não lançar muitas candidaturas próprias para os governos estaduais em 2026. A estratégia visa obter um desempenho mais robusto nas eleições legislativas, consolidando uma base sólida no Congresso Nacional.
A principal meta é formar parcerias que permitam a escolha de governadores e, ao mesmo tempo, montar chapas competitivas para a eleição de deputados e senadores. Essa abordagem tem como objetivo fortalecer a influência do futuro governo no legislativo e facilitar a governabilidade.
Os principais nomes em consideração para a disputa incluem o atual presidente Lula (PT), que buscará a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cuja confirmação como candidato ainda gera dúvidas entre seus aliados mais próximos.
Candidaturas Regionais e Apostas nas Alianças
No âmbito estadual, o PT deve lançar candidatos próprios apenas em locais onde já possui governadores que buscam a reeleição. Exemplos incluem Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará e Rafael Fonteles no Piauí. Em outras regiões, a estratégia se concentra na formação de coligações com partidos aliados, como PSD, MDB e PSB, que representam uma alternativa viável para um cenário eleitoral mais favorável.
Por sua vez, o PL tem como foco a reeleição em Santa Catarina, com o candidato Jorginho Mello, e pode apresentar candidaturas próprias em mais dois estados: no Rio Grande do Sul, apostando no deputado Zucco, e em Alagoas, com o atual prefeito de Maceió, JHC.
Nos principais colégios eleitorais, a disputa tendencialmente será travada entre candidatos apoiados pelo Centrão. No Rio de Janeiro, a mesma estratégia que é adotada pelo PT e PL beneficia o PSD, que se coloca em uma posição vantajosa com a candidatura do prefeito Eduardo Paes, um aliado de Lula ao nível nacional.
Indefinições e Desafios no Cenário Político
Eduardo Paes, embora alinhado a Lula, também está fazendo gestos em direção ao PL, que ainda não decidiu sobre a possibilidade de uma candidatura própria no estado. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que ainda não há um nome definido para representar o partido na disputa ao governo do Rio de Janeiro.
“Estamos avaliando diversos nomes para verificar a viabilidade de uma candidatura própria ao governo”, afirmou Cavalcante, acrescentando que tanto o atual governador, Cláudio Castro, quanto Flávio Bolsonaro estão envolvidos na decisão.
Em Minas Gerais, o cenário é igualmente incerto. A possibilidade de o PL e o PT não lançarem candidatos próprios segue em aberto. Entre os já cogitados pela oposição, estão o vice-governador Matheus Simões (PSD) e o senador Cleitinho (Republicanos), que buscam apoio junto ao PL.
Lula, por sua vez, continua tentando persuadir o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), a entrar na disputa. Apesar da resistência de Pacheco, a possibilidade de sua candidatura poderá exigir uma troca de partido, uma vez que o PSD apoia Simões.
Os petistas também consideram a possibilidade de lançar candidaturas próprias em Minas, com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e a prefeita de Contagem, Marília Campos, ambas em evidência. Contudo, a prioridade do PT permanece na eleição para o Senado, onde Marília tem obtido resultados promissores nas pesquisas.
Expectativas para São Paulo e a Corrida ao Senado
No estado de São Paulo, a situação permanece nebulosa, com múltiplos nomes surgindo tanto para a vaga de governador quanto para o Senado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do PT, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, são mencionados como possíveis candidatos ao Senado, além do deputado Guilherme Derrite (PP). Haddad já sinalizou que pretende deixar o ministério em fevereiro para apoiar a campanha de reeleição de Lula, mas mostra resistência em se candidatar a qualquer outro cargo.
A candidatura de Flávio Bolsonaro, embora previamente lançada pelo ex-presidente Bolsonaro, não tem gerado empolgação entre os partidos do Centrão, que buscam alternativas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao se colocar como um possível candidato à presidência, pode alterar o panorama local, levando a PSD, MDB e PL a considerar candidaturas próprias ao governo.
Se o cenário de fragmentação se concretizar, isso poderá enfraquecer os esforços do PL de consolidar uma base forte. O PSD estuda lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior; o União Brasil apresenta o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato, e o Novo tem como opção o governador de Minas, Romeu Zema.
Frente aos desafios de unir a direita, a estratégia de montar palanques para o Senado é vista como uma maneira de preservar a influência do bolsonarismo, mesmo que Lula consiga reeleição. Em 2026, dois terços do Senado serão renovados, e Bolsonaro já mencionou em eventos que, caso seu grupo consiga mais de 50% da Casa, isso lhe dará influência sobre a direção do país, mesmo que perca a disputa presidencial.
Uma das apostas mais fortes é o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), que deve concorrer ao Senado por Santa Catarina, formando uma aliança com o governador Jorginho Mello. Essa negociação não tem sido simples, gerando conflitos, já que as duas vagas também são desejadas pela deputada Caroline de Toni (PL-SC) e pelo senador Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição. Até o momento, Carlos Bolsonaro é considerado o nome mais sólido, devido ao apoio do ex-presidente, enquanto De Toni e Amin ainda lutam por uma segunda indicação. Apesar disso, os bolsonaristas acreditam que conseguirão eleger as duas vagas em Santa Catarina no próximo ano.
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), também parece inclinada a concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. Assim como em Santa Catarina, a oposição espera conquistar as duas vagas disponíveis. Além de Michelle, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e a deputada Bia Kicis (PL) também se mostram dispostos a se candidatar, em um cenário que demandará um esforço de acomodação interna.

