Crescimento nos Preços das Hortaliças em Dezembro
No contexto do agronegócio brasileiro, todas as hortaliças analisadas no atacado registraram aumento nos preços médios em dezembro de 2025, conforme aponta o primeiro Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O relatório foi divulgado na última quinta-feira (22) e abrange as 11 principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país.
A pesquisa da Conab focou em cinco hortaliças — batata, cenoura, cebola, tomate e alface — e cinco frutas — laranja, banana, mamão, maçã e melancia — que são as mais representativas nas vendas nas principais Ceasas e que impactam no cálculo do índice de inflação oficial (IPCA).
Batata: Principal Alta de Preços
Dentre os produtos analisados, a batata se destacou com a maior elevação, apresentando alta de 23,50% na média ponderada nacional. Esse aumento reflete a diminuição da oferta, resultado das chuvas nas áreas produtivas, que dificultaram a colheita. Em algumas Ceasas, como em Rio Branco (AC) e no Rio de Janeiro (RJ), os preços em dezembro subiram cerca de 30% quando comparados a novembro de 2025.
Cebola: Tendência de Alta Continua
A cebola, por sua vez, manteve a trajetória de alta que começou em outubro, com aumentos significativos especialmente em mercados mais distantes das regiões produtoras do Sul, que são responsáveis pela maior parte do abastecimento nacional. Cidades como Rio Branco e Recife (PE) registraram variações acima de 50% nos preços em dezembro do ano passado.
Tomate e Cenoura: Aumentos Moderados
O tomate também apresentou um aumento considerável de 15,06%, interrompendo uma tendência de queda que se prolongou ao longo de grande parte de 2025. Essa elevação foi atribuída à transição entre safras e oscilações típicas da oferta do produto, com variações expressivas nas Ceasas, destacando-se Rio Branco (+51,76%) e Recife (+53,17%) no último mês do ano.
Em relação à cenoura, a alta foi mais moderada, com um acréscimo médio de 7,21%, mesmo com a intensificação da comercialização.
Alface: Aumento Contido nas Cotações
A alface, por sua vez, registrou uma elevação contida de 3,49% nos preços, influenciada pela maior demanda em decorrência das temperaturas elevadas e pelos impactos climáticos que afetaram a qualidade das folhas.
Frutas: Preços Variáveis
Quando o assunto são as frutas, os preços da laranja e da maçã permaneceram praticamente estáveis em dezembro, segundo o Boletim Prohort. A laranja teve uma leve variação negativa de -0,68%, com quedas mais acentuadas em locais como Rio Branco (-35,08%) e Goiânia (GO) (-12,78%), devido à maior oferta nos mercados atacadistas.
No caso da maçã, a variação foi sutil, apresentando um aumento de +0,64%, em um cenário de maior disponibilidade em São Paulo, mas com demanda mais fraca e estoques da safra 2024/25 em fase final.
Demais Frutas e Exportações
As outras frutas analisadas no Boletim Prohort não acompanharam a estabilidade dos preços e registraram aumentos. A banana, por exemplo, teve alta de 4,02% nas variedades nanica e prata, motivada pela menor oferta típica do período e pela melhora na qualidade do produto. O mamão também teve um crescimento de preços de 15,87%, devido à menor disponibilidade de frutas com qualidade superior nas principais regiões produtoras.
A melancia, por sua vez, experimentou um aumento médio de 25,19%, mesmo com um volume maior comercializado, sustentado pela boa qualidade das frutas e por temperaturas mais altas que elevaram a demanda na primeira quinzena de dezembro.
Exportações em Alta
O Boletim ainda ressalta o desempenho positivo das exportações brasileiras de frutas em 2025. Ao longo do ano, o país exportou aproximadamente 1,31 milhão de toneladas, representando um crescimento de cerca de 20% em comparação a 2024, gerando um faturamento de US$ 1,56 bilhão. As vendas externas concentraram-se nos mercados europeu e asiático, com aumento no volume embarcado de produtos como manga, melão, melancia, banana e mamão.

