Intensificação da Disputa Eleitoral em Pernambuco
Com menos de seis meses para o início da campanha eleitoral, a competição em Pernambuco já se transforma em um verdadeiro campo de batalha entre a governadora Raquel Lyra, que busca a reeleição pelo PSD, e o prefeito do Recife, João Campos, do PSB, este último apontado como o favorito nas pesquisas para assumir o Palácio do Campo das Princesas. Na retomada dos trabalhos legislativos, a primeira votação na Câmara Municipal, ocorrida na terça-feira 3, foi um pedido de abertura de processo de impeachment contra Campos. A proposta, vista por muitos como uma encenação da oposição, serviu mais para gerar imagens para as redes sociais do que para surtir efeito prático. Com uma ampla maioria, o prefeito conseguiu derrubar a proposta com facilidade: 25 votos contrários, 9 a favor e uma abstenção.
A oposição acusa João Campos de cometer crime de responsabilidade e improbidade administrativa ao nomear um procurador para uma vaga destinada a pessoas com deficiência, conforme concurso público. No entanto, o caso já foi analisado e encerrado no Judiciário. O pedido de impeachment, portanto, representa apenas mais um episódio da antecipação eleitoral no estado, que também foi impactado por um recente escândalo envolvendo a Polícia Civil, acusada de espionagem de adversários da governadora.
Espionagem Policial e Denúncias de Abuso de Poder
No final de janeiro, uma reportagem da TV Record revelou um alegado esquema de vigilância clandestina montado pela Polícia Civil para monitorar o secretário de Articulação Política e Social da prefeitura do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, que é assessor de João Campos. Segundo as informações, agentes teriam instalado um rastreador no veículo oficial do secretário, controlando todos os seus deslocamentos, desde a saída de casa até o retorno noturno.
De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, a investigação foi iniciada após uma denúncia anônima sobre corrupção na prefeitura. Após dois meses de monitoramento, sem a abertura de um inquérito formal, não foram encontrados indícios de crime, levando ao arquivamento do caso. A própria Secretaria admitiu que o rastreador foi colocado sem autorização judicial. A TV Record ainda revelou que delegados e investigadores criaram um grupo de WhatsApp para compartilhar informações em tempo real sobre os movimentos dos servidores.
Raquel Lyra se defende, afirmando não ter utilizado a Polícia Civil para fins de espionagem. “Não houve orientação para perseguir quem quer que seja. Contudo, sob meu comando, qualquer indício de irregularidade será investigado com total respeito às leis e instituições”, afirmou a governadora. Para aliados de João Campos, partes da corporação passaram a atuar como uma polícia política.
Reações e Consequências das Acusações
No dia 30 de janeiro, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal iniciasse uma investigação sobre o caso. O magistrado destacou que a espionagem, se comprovada, coloca em risco princípios fundamentais como a inviolabilidade da intimidade e a legalidade. Nas redes sociais, João Campos se manifestou contra o que chamou de “polícia paralela” e enfatizou a necessidade da entrada da PF na apuração. Ele acusou setores da Polícia Civil de serem usados para fins eleitorais e afirmou confiar na atuação da Polícia Federal para resolver a questão.
Disputa Acentuada nas Redes e no Carnaval
Com a intenção de se distanciar do escândalo, Lyra enfatizou que Pernambuco não teve acesso completo ao processo e que se manifestará nos autos, através de sua procuradoria. Ela ressaltou a importância das instituições e da justiça no trabalho investigativo. A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) tornou-se um palco da disputa política, com parlamentares aliados ao prefeito dificultando a aprovação de projetos da governadora, como empréstimos para obras públicas, um aspecto crucial para sua campanha. Apesar dos desafios, o Legislativo autorizou mais de 3 bilhões de reais em crédito para o Executivo.
A governadora, que está em desvantagem nas pesquisas, concentra investimentos em áreas onde João Campos tem mais força, como o setor cultural. A disputa em torno do carnaval deste ano exemplifica isso, com a Secretaria de Cultura de Pernambuco anunciando um investimento de 77,6 milhões de reais, 87% mais do que no ano anterior, e a programação do governo estadual sendo antecipada para ofuscar os eventos municipais.
Com os olhos voltados para o Galo da Madrugada, que contará com a presença do presidente Lula, o PT local enfrenta divisões sobre o apoio a Campos ou Lyra. Apesar das pesquisas ainda mostrarem vantagem para o prefeito, a diferença tem diminuído, e a corrida eleitoral promete ser acirrada.

