Um Cenário de Competição Política
No cenário político de Pernambuco, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD) estão em meio a uma disputa que pode definir suas trajetórias eleitorais. Ambos buscam o apoio da Federação União Progressista, mas a situação se complica por conta da necessidade de consenso entre os partidos que a compõem: o Progressistas (PP) e o União Brasil (UB). Desde dezembro, essas siglas solicitaram a formalização da federação, mas até o momento não receberam a aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que gera incertezas sobre o futuro político deles.
Em declarações recentes, Campos ressaltou sua confiança na capacidade de articulação do presidente do UB em Pernambuco, Miguel Coelho, que também é pré-candidato ao Senado. Coelho tem se encontrado frequentemente com a governadora, embora tenha afirmado que o último encontro, ocorrido em Brasília na semana passada, não resultou em avanços concretos. O ex-prefeito de Petrolina acredita que, apesar do diálogo, não há compromissos firmados até o momento.
Expectativas e Alianças em Jogo
A expectativa de Campos se justifica, visto que ele faz parte do mesmo grupo político que Coelho. Entretanto, dentro do PP, há quem acredite que a tendência será a transferência de Coelho para a aliança da governadora Raquel Lyra. A situação se torna ainda mais intrigante quando se considera a posição do presidente do PP, Eduardo da Fonte, que tem apoiado a gestão de Raquel nos últimos três anos, mas não se comprometeu com ela na corrida eleitoral deste ano.
A resposta de Da Fonte a essa ambiguidade é direta: ele defende que o projeto político deve ser coletivo, não individual. “Não vou decidir com ela (Raquel) nem com ele (João) antes de 4 de abril, quando se encerra o prazo para mudança de partido. Minha prioridade são as bancadas, e a eleição de senador é consequência desse dever de casa bem feito”, afirmou.
Desafios da Federação e Futuro Incerto
Se as conversas entre PP e UB não chegarem a um consenso, a viabilidade da federação pode ser comprometida, o que resultaria na perda de tempo de TV e no acesso a fundos partidários. Essa possibilidade é uma preocupação real nas esferas políticas, onde o apoio financeiro e de mídia são cruciais para o sucesso nas eleições.
Em relação a essa dinâmica, o deputado estadual Antônio Moraes, cuja lealdade está com a governadora Raquel Lyra, expressa uma opinião clara: “Zero chance de Eduardo da Fonte apoiar o projeto de João Campos. Não faz sentido”. Essa declaração ressalta as divisões internas e a dificuldade em formar alianças coesas.
Perspectivas para a Candidatura ao Senado
Por outro lado, o deputado Edson Vieira, que faz parte do grupo Coelho, adota um tom mais cauteloso. Para ele, Eduardo da Fonte continua sendo um aliado da governadora Raquel, enquanto Miguel Coelho está focado em construir sua candidatura ao Senado através de amplo diálogo. Contudo, Vieira não se arrisca a afirmar com que grupo Coelho irá se aliar.
Reflexões sobre o Cenário Nacional
Em um contexto mais amplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou Geraldo Alckmin (PSB) durante uma reunião do PT na Bahia, sem confirmar se Alckmin será novamente seu vice. João Campos, presidente nacional do PSB, comentou sobre a importância de ter Alckmin como vice, afirmando que isso não beneficia apenas o partido, mas também faz bem para o Brasil.
O Que Vem a Seguir?
A primeira reunião da Executiva do PT de Pernambuco não trouxe avanços significativos. A expectativa agora é que o encontro com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que está programado para chegar ao Recife no dia 5 de março, possa organizar plenárias em municípios-chave, permitindo que as vozes da base sejam ouvidas. Assim, a luta pela consolidar uma estratégia eleitoral eficaz segue como um desafio para os líderes da política pernambucana.

