Uma Noite de Música e Tradição no Jardim do Cais do Sertão
Na terça-feira (17), o Jardim do Cais do Sertão se transformou em um verdadeiro celeiro de ritmos durante a última noite do Palco Pernambuco Meu País no Carnaval. Com um vasto leque de manifestações culturais, o evento destacou a pluralidade que caracteriza o Carnaval pernambucano, promovendo uma experiência única que atravessa o sertão, a Região Metropolitana e o Agreste.
Organizado pelo Governo de Pernambuco, em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult-PE), a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), o palco atraiu milhares de visitantes ao longo do dia. Às 15h30, a festa teve início com a apresentação do Boi Fantástico, oriundo de Arcoverde, que encantou o público com sua energia contagiante e rica tradição sertaneja.
Logo após, o Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, um patrimônio imaterial desde 2009, trouxe à cena seu ritmo único e envolvente. Com 201 anos de história, o grupo, que utiliza instrumentos típicos como zabumba e tarol, proporcionou ao público uma imersão nas tradições afro-brasileiras, mostrando a força e a relevância da música de raiz no contexto carnavalesco.
Ritmos de Pernambuco e Celebração da Cultura Popular
Por volta das 17h, a energia do frevo tomou conta do espaço, com a apresentação do Bloco Carnavalesco Misto Flor da Lira de Olinda. Fundado em 1975, o bloco trouxe a alegria do Carnaval com suas fantasias vibrantes e estandartes dourados, criando um verdadeiro baile ao ar livre e celebrando a essência desta tradição tão pernambucana.
Às 18h, o Afoxé Filhos de Dandalunda trouxe uma proposta afro-religiosa ao palco, reverenciando o orixá Oxum. Sediado na Imbiribeira, o grupo destaca-se por sua rica tradição Bantu, sob a liderança do sacerdote Pai Moacir de Angola. A apresentação encantou os presentes, unindo elementos de fé e cultura.
O multiartista Ciel Santos, natural de Bezerros, subiu ao palco às 19h, apresentando um espetáculo que mistura tradição e modernidade. Conhecido por sua voz andrógina e seu estilo único, Ciel revisitou clássicos do Carnaval e canções do álbum Enraizada (2019), mesclando ritmos nordestinos com influências latinas e jazz, encantando o público com sua proposta inovadora.
“O palco do Pernambuco Meu País é fundamental para os artistas pernambucanos apresentarem sua música autoral. Eu sou do Agreste e estou muito feliz de fazer parte do carnaval daqui,” afirmou o cantor, expressando sua gratidão pela oportunidade.
A Fusão de Estilos e a Relevância da Banda Eddie
Encerrando a programação da noite, a Banda Eddie fez sua performance às 20h30, levando a plateia ao delírio com uma fusão única de frevo, surf music, reggae, samba e punk rock. Com sucessos de álbuns como “Carnaval no Inferno” e “Original Olinda Style”, o grupo reafirmou sua importância na cena musical pernambucana ao longo das décadas, cativando os presentes com sua energia vibrante.
Fábio Trummer, vocalista da banda, destacou a importância do festival: “O Pernambuco Meu País é bacana porque ele é o ano inteiro, percorrendo várias cidades que às vezes não têm a oportunidade de ver tantas atrações reunidas tocando juntas.” A diversidade de ritmos, incluindo afoxé, frevo, rock’n’roll, reggae e samba, reforçou a riqueza cultural do evento.
Mais do que um simples espaço de apresentações, o Palco Pernambuco Meu País se solidificou como um verdadeiro território de encontro entre tradições e gerações. Ao reunir uma variedade de estilos musicais no mesmo dia, o evento demonstrou a riqueza da música pernambucana e proporcionou visibilidade a expressões culturais que moldam a identidade do Estado.
A iniciativa reforçou a importância das cadeias criativas e valorizou artistas locais, assegurando um espaço para novas vozes que continuam a nutrir a vibrante paisagem sonora do Pernambuco.
Festival Pernambuco Meu País: Um Compromisso Com a Cultura
O festival, promovido pelo Governo de Pernambuco, através da Secult-PE, Fundarpe e Empetur, é um exemplo de política pública que valoriza a cultura e fomenta o desenvolvimento regional. Com edições no Carnaval, Verão e Inverno, o projeto leva uma programação gratuita e de grande porte a diversas cidades, ampliando o acesso da população a manifestações artísticas.
Ao abranger desde o Litoral até o Sertão, o festival fortalece a cadeia produtiva cultural, impulsiona setores como turismo e comércio, e reafirma seu papel como motor de geração de renda e transformação social no Estado. A festa não apenas celebra a diversidade cultural, mas também promove um futuro mais inclusivo e vibrante para todos os pernambucanos.

