Análise da Movimentação Turística
Por Fernando Castillo, do JC – Ao avaliar os números referentes à presença de turistas no Carnaval de Pernambuco, as estimativas divulgadas pelas prefeituras de Recife e Olinda, bem como pelo governo do estado, revelam um panorama impressionante. Enquanto isso, o Carnaval de Salvador, na Bahia, parece não ter o mesmo impacto nas avaliações da presença de foliões em comparação com as festividades pernambucanas.
A Prefeitura do Recife estima que aproximadamente 3,7 milhões de pessoas participaram do Carnaval da capital, já Olinda contabilizou cerca de 4 milhões de foliões. Em contraste, o governo do estado de Pernambuco divulgou um número mais conservador, apontando 2,8 milhões de visitantes em todo o estado durante o período festivo.
Em Salvador, a prefeitura limitou a estimativa a 1,8 milhão de pessoas, mas na última quinta-feira (19), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou que o Carnaval da capital baiana atraiu 12 milhões de foliões, incluindo turistas. Curiosamente, este número representa cinco vezes a população total de Salvador.
Disputas Númericas e Contexto Histórico
A divulgação das estatísticas relacionadas ao Carnaval de Pernambuco não se restringe apenas ao que é apurado pelos órgãos municipais e pelo governo estadual. Historicamente, a TV Globo fomentou uma rivalidade entre Recife e Salvador, competindo pelas melhores estatísticas de público no Galo da Madrugada e no circuito Barra Ondina. Essa disputa ganhou proporções significativas durante os anos 2000, quando números que inicialmente indicavam 300 mil foliões chegaram a três milhões, culminando no reconhecimento do Galo da Madrugada como um dos maiores carnavais do mundo pelo Guinness World Records.
Neste ano, a competição parece ter atingido um novo patamar, com os prefeitos João Campos e Mirella Almeida se superando nas estimativas. Para se ter uma noção da dimensão da participação das pessoas, a população total dos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife, conforme o IBGE, era de aproximadamente 3,7 milhões de habitantes, o que sugere que o número de foliões superou a população residente nas festividades.
Impacto Econômico do Carnaval
De acordo com informações da Prefeitura do Recife, o Carnaval impulsionou cerca de R$ 2,8 bilhões na economia local, gerando 60 mil empregos temporários e batendo recordes de movimentação econômica e ocupação hoteleira. Esses números são essenciais, pois o Carnaval, em uma cidade como Recife, não apenas gera receita imediata, mas também atrai uma movimentação econômica significativa nos meses que precedem as festividades. Se as previsões se confirmarem, o prefeito João Campos pode ter contribuído com quase 30% do orçamento municipal projetado para 2026, que é de R$ 10,5 bilhões.
Por outro lado, a Prefeitura de Olinda reportou êxitos em sua gestão ao conseguir captar recursos, reduzir custos operacionais e ainda iniciar, durante o processo, o pagamento dos artistas envolvidos. A prefeita Mirella Almeida destacou que o novo modelo de gestão fortaleceu a cadeia produtiva do carnaval, proporcionando maior previsibilidade financeira aos trabalhadores do setor cultural.
Desafios nas Estimativas e Comparações
Apesar da exuberância dos números, surgem questionamentos sobre sua veracidade. A Prefeitura de Olinda apresentou um ticket médio de R$ 164,47 por folião, um dado que, embora específico, levanta dúvidas sobre a precisão dessa estimativa. O governo estadual, por sua vez, informou que o Carnaval movimentou R$ 3,7 bilhões, um valor que pode obscurecer a realidade dos outros municípios, dado que o prefeito João Campos havia declarado que apenas a capital arrecadou R$ 2,8 bilhões. Durante sua apresentação, ele utilizou o número de 502.205 passageiros que passaram pelo Aeroporto do Recife como um indicativo de que todos eram foliões, o que, por si só, pode ser uma interpretação forçada.
Embora não haja nada de errado em prefeitos e governadores desejarem apresentar números positivos durante eventos como o Carnaval, a superexposição de dados pode desvirtuar a realidade. A questão que persiste é: como é possível estimar que 3,7 milhões de pessoas realmente participaram do Carnaval do Recife e que 4 milhões de foliões circularam por Olinda?
Reflexões Finais
As comparações básicas entre os números de Recife e Olinda, que totalizam aproximadamente 8 milhões de foliões, geram ainda mais incertezas. Qual será a real magnitude da presença de público nos circuitos de Carnaval da Bahia ou nas festividades de São Paulo e Rio de Janeiro? Essas questões permanecem em aberto, e os desafios de se lidar com estimativas imprecisas podem trazer à tona a necessidade de uma avaliação mais crítica sobre a verdadeira dimensão do Carnaval no Brasil.

