A História da Primeira Sinagoga das Américas
O Recife Antigo exibe um charme singular em meio ao aroma do mar e ao ritmo contagiante do frevo. Com suas ruas estreitas e sobrados coloniais, a capital pernambucana é um destino que revela camadas de história. Fundada entre os rios e recifes de coral, Recife se destacou como um dos mais importantes portos do Brasil colonial, proporcionando ao visitante uma imersão em eventos que vão desde a presença holandesa até a riqueza do barroco nordestino, tudo isso acompanhado de um delicioso bolo de rolo e um refrescante banho de mar.
Em 1630, Recife caiu sob domínio holandês, transformando-se em um dos centros cosmopolitas das Américas. Durante a administração de Maurício de Nassau, diversas culturas, incluindo católicos, protestantes e judeus, coexistiram harmoniosamente nas ruas dessa vibrante cidade. Seis anos após a conquista, a comunidade judaica estabeleceu a Sinagoga Kahal Zur Israel na antiga Rua dos Judeus, hoje conhecida como Rua do Bom Jesus, tornando-se a primeira sinagoga documentada do continente americano.
Com a reconquista portuguesa em 1654, cerca de 400 judeus deixaram Recife, e um grupo de 23 refugiados estabeleceu, na Nova Amsterdã, a primeira comunidade judaica da América do Norte, que mais tarde se tornaria a moderna Nova York. Escavações em 1999 revelaram os alicerces da sinagoga e um mikvê (piscina ritual), e desde 2002, o local reabriu como um museu e centro cultural. Em 1998, o Bairro do Recife foi tombado pelo IPHAN, garantindo a proteção de 44 bens de valor histórico.

