Sentença e Detalhes do Julgamento
O psicólogo João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, de 35 anos, foi condenado a uma pena de 71 anos pela morte da administradora Renata Alves Costa, também de 35 anos. O crime ocorreu em agosto de 2022, quando Renata foi assassinada com um tiro na testa em seu apartamento, localizado no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife.
O julgamento teve início na quarta-feira (25) e foi concluído na quinta (26), no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, situado na área central da cidade. Durante o processo, a assistente de acusação, Carol Amorim, destacou que o réu foi responsabilizado por feminicídio, sequestro, cárcere privado e tentativa de sequestro, além de outras acusações de estupro e lesões corporais que não estavam diretamente ligadas ao feminicídio.
Em entrevista, Carol expressou que a expectativa era de que a condenação chegasse a pelo menos 40 anos, tendo em vista a gravidade dos crimes cometidos.
Defesa e Possíveis Recursos
A defesa de João Raimundo, representada pela advogada Ana Paula Arruda, anunciou que irá recorrer da decisão. Ela afirmou: “A sentença não é definitiva. Já interpusemos recurso de apelação e buscaremos reduzir a pena, conforme consideramos necessário.” A advogada enfatizou que o réu já estava ciente da certeza de uma condenação, mas manteve-se sereno durante a leitura da sentença.
“João manteve-se de cabeça baixa, sem reações exaltadas. Sempre deixei claro que haveria uma condenação”, detalhou Ana Paula.
Argumentos da Acusação
Na manhã do dia do veredicto, a acusação apresentou provas que indicavam um histórico de comportamento violento por parte do réu. Em um período de 1h30, foram exibidos documentos, fotos e transcrições de conversas do celular de Renata para mostrar a dinâmica abusiva entre eles. Carol Amorim afirmou que as evidências demonstravam um padrão de dominação e manipulação por parte de João.
“Mostramos diversos boletins de ocorrência que evidenciam a violência doméstica contra Renata e outras mulheres. O réu já havia enfrentado problemas legais em outras situações, o que reforça a gravidade de seu comportamento”, acrescentou.
Defesa e Contexto do Crime
Durante a audiência de defesa, que também durou 1h30, a advogada tentou argumentar que o ato não foi um homicídio doloso. “O processo não termina aqui, existem recursos legais que iremos utilizar para garantir o direito do réu”, declarou Ana Paula. Ela também comentou sobre a perda irreversível que a mãe de Renata sofre, enquanto João, por sua vez, perdeu a liberdade e a carreira como psicólogo, já que havia sido aprovado em um concurso público para o Tribunal de Justiça da Paraíba.
O crime, que chocou a comunidade local, aconteceu no dia 6 de agosto de 2022, no apartamento da vítima. Após o assassinato, João foi preso três dias depois no aeroporto de Natal (RN). O Ministério Público de Pernambuco o denunciou formalmente por feminicídio, sequestro e cárcere privado, destacando a necessidade de responsabilização em casos de violência contra a mulher.

