Mobilização de Trabalhadores da Educação
No último dia 5 de março, professores e profissionais da educação de Pernambuco decidiram, em assembleia geral, que realizarão uma paralisação total das atividades no dia 10 do mesmo mês. O encontro aconteceu em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), impulsionado por um ato promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe). Após a assembleia, os participantes marcharam até o Palácio do Campo das Princesas, onde reiteraram a importância da mobilização.
Além da paralisação, os trabalhadores também aprovaram diversas manifestações programadas para o dia 12 de março em frente às escolas da rede estadual. Conforme informações do sindicato, essa mobilização se insere na Campanha Salarial Educacional 2026 e possui um caráter emergencial. A presidenta do Sintepe, Ivete Caetano, destacou que a pauta de reivindicações foi entregue ao Governo do Estado há cerca de um mês, e até o momento, não houve retorno significativo da gestão.
“Faz um mês que entregamos a pauta de reivindicações da Campanha Salarial Educacional ao Governo do Estado. Realizamos uma mesa de negociação, mas não recebemos propostas concretas”, enfatizou Ivete. O sindicato também destaca problemas estruturais críticos em várias escolas da rede estadual, como falhas na infraestrutura elétrica, ausência de climatização, merenda de qualidade inferior e reformas pendentes.
Recentemente, um episódio preocupante ocorreu em Ponte dos Carvalhos, onde uma estudante se feriu após o desabamento do piso do pátio de uma escola, que resultou na formação de uma cratera. No Recife, a Escola de Referência em Ensino Fundamental (EREF) Cônego Rochael de Medeiros foi mencionada como um exemplo das condições precárias, com fiação exposta e salas de aula insalubres. Ivete Caetano ressaltou que “a rede estadual está há quase quatro anos sem vistorias e reformas estruturais. Nossas escolas acolhem diariamente de 400 a 1.500 estudantes. Um equipamento que não é reformado pode apresentar sérios riscos”.
Principais Reivindicações da Campanha Salarial
Entre os principais pontos levantados na campanha salarial, destaca-se a atualização do Piso Salarial do Magistério, que impacta toda a carreira dos servidores da Secretaria de Educação de Pernambuco, com base na Medida Provisória nº 1.334/2026. A nova regra estabelece que a atualização anual do piso salarial deve considerar a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior, somada a 50% da média da variação da receita real do Fundeb.
De acordo com essa fórmula, o piso salarial para 2026 foi estipulado com um aumento de 5,4%, passando de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 para uma carga horária de 40 horas semanais. O Sintepe demanda que esse percentual também seja aplicado aos profissionais que recebem acima do piso, conforme as diretrizes estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Em resumo, a paralisação programada e os protestos subsequentes refletem a insatisfação dos trabalhadores da educação em relação às condições de trabalho e à valorização salarial. A mobilização, portanto, é um passo significativo para pressionar o governo a atender suas reivindicações e garantir um ambiente educacional mais seguro e justo para todos.

