A Estética Moderna em “Bridgerton”
A maquiagem dos personagens na quarta temporada da aclamada série “Bridgerton” apresenta uma mudança significativa em relação ao estilo cultivado nas temporadas anteriores. Agora, as makes adotam uma abordagem mais contemporânea, alinhada às tendências do visagismo, uma técnica que respeita as características individuais de cada rosto para criar a maquiagem ideal. Essa transição estética gerou um certo estranhamento, especialmente por desafiar a narrativa histórica que permeia o enredo da obra, ambientada na alta sociedade britânica do século XIX.
O maquiador e caracterizador Anderson Bueno analisa como a estética de “Bridgerton” se afasta do rigor histórico para incorporar elementos modernos, proporcionando uma nova visão dos personagens que se conecta com o entretenimento atual. “A análise técnica da caracterização revela características que enfatizam uma estética contemporânea, em contraste com a veracidade histórica do ano de 1815”, afirma Anderson.
Ele ressalta que “o uso de sobrancelhas bem definidas, cílios volumosos e técnicas de contorno facial são reflexos diretos das tendências atuais dos tapetes vermelhos, numa clara divergência do naturalismo que se esperaria para os bailes da era regencial”.
Importância da Luminosidade Natural
A luminosidade da pele se destaca como uma prioridade na maquiagem contemporânea, com o objetivo de reforçar a posição social das personagens. Segundo Anderson, “O intuito é proporcionar um aspecto radiante e saudável, que remete ao prestígio visual das protagonistas aristocráticas”.
A técnica mais utilizada é a da pele invertida, que enfatiza uma preparação cuidadosa da pele, incluindo hidratação intensa e o uso de produtos iluminadores, antes da aplicação de qualquer base de alta cobertura. Contudo, Anderson adverte para os riscos da aplicação excessiva desses produtos, que podem resultar em um efeito oleoso em vez do viço natural desejado.
O Visual “No Makeup” de Sophie Baek
O minimalismo do visual de Sophie Baek, vivida por Yerin Ha, é um dos destaques, promovendo a estética “no makeup”, que simula a ausência de maquiagem. A proposta é realçar a beleza natural, focando numa aparência leve e sutil. De acordo com Anderson, essa composição prioriza uma pele bem cuidada, que, apesar de parecer simples, mantém a elegância e o refinamento exigidos pela posição social da personagem. O resultado é uma estética equilibrada, que harmoniza a modernidade do viço natural com a sofisticação clássica.
O Brilho de Penelope Featherington
A evolução estética da personagem Penelope Featherington, interpretada por Nicola Coughlan, preserva a sofisticação que a transformou na terceira temporada. Na nova temporada, a maquiagem de Penelope utiliza contornos suaves que moldam seu rosto sem perder a naturalidade. O uso estratégico de iluminadores é fundamental no visagismo, segundo Anderson. “Na pele de Penelope, eles proporcionam um brilho que reflete sua nova fase de autoconfiança e relevância social”, destaca.
“O conjunto técnico traduz a transição da personagem para uma estética mais polida e luminosa, alinhada com seu papel de destaque na narrativa”, complementa o maquiador. Essa transformação evidencia como a maquiagem pode ser uma ferramenta poderosa na construção da identidade dos personagens.
Liberdade Criativa na Caracterização
Como se trata de uma obra de ficção, a caracterização de “Bridgerton” tem a liberdade criativa de explorar os elementos mais relevantes para a identidade visual de cada personagem, mesmo que isso signifique se afastar da rigidez histórica. Essa liberdade é essencial para manter o interesse do público, trazendo uma nova dinâmica à série e refletindo as tendências atuais de moda e beleza.

