Obra Enraizada na História Local
Antes da construção de diversas pontes, os barcos eram a principal ligação entre os bairros do Recife. Essa relação histórica com o Rio Capibaribe é o que inspira o livro infantil “Acorda Rio – Memórias de uma Travessia”, da artista visual pernambucana Catharina Rosendo. A obra será lançada neste domingo, dia 22, às 15h, no Jardim Secreto do Poço, na Zona Norte da capital pernambucana.
O livro revive a trajetória de Antônio José da Cunha, o barqueiro conhecido como Pai, que ainda hoje realiza a travessia entre os bairros do Poço da Panela e da Iputinga. Esse ofício, que é uma herança de gerações passadas, se transforma em um símbolo de resistência e preservação dos saberes tradicionais, mesmo em meio a um cenário urbano que se distancia de seus rios.
Narrativa Poética e Inclusiva
Com uma narrativa poética e ilustrações em aquarela feitas pela própria autora, a obra convida os leitores a perceberem os rios como territórios vivos da memória recifense. O título da obra faz alusão à corda utilizada por Pai na condução do barco, funcionando como uma metáfora que liga passado e presente. Além disso, o livro oferece um recurso de audiodescrição via QR code, ampliando o acesso para todos os públicos.
“Essa história nasceu de conversas à beira do rio, de idas e vindas sobre a travessia. Foi assim que conheci Pai, um barqueiro que herdou essa profissão do pai e do avô, como se herdasse não apenas um trabalho, mas também o respeito e o cuidado com a natureza. Esse ofício foi um dos mais significativos da cidade. Ele conectava bairros, comércios e territórios, criando pontes antes mesmo de sua construção. Abria, em silêncio, rotas de fuga para aqueles que buscavam liberdade. Os canoeiros, junto com Pai, ajudaram a erguer a cidade”, explica a autora.
Evento de Lançamento e Atrações Culturais
O lançamento do livro ocorre no Dia Mundial da Água e contará com uma roda de conversa, sessão de autógrafos e a exibição do curta “Entre Margens”, dirigido por estudantes e inspirado na mesma travessia que originou o livro. Este projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo em Pernambuco, com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura. É uma oportunidade para refletir sobre a importância das tradições locais e suas conexões com o meio ambiente, celebrando a cultura popular do Recife.

