Uma Análise Controversial do Papel de Israel no Cenário Internacional
Prepare-se para uma reflexão intensa. A paciência se esgota e, diante de temas polêmicos, a escolha das palavras pode ser deixada de lado. Afinal, a questão que se coloca é: qual seria o pior país do mundo? A competição é acirrada. Ponderando sobre isso, é difícil não lembrar de países como Inglaterra e Holanda. A vivência com cidadãos destes países trouxe à tona algumas características que não são louváveis. Os ingleses, em particular, têm um histórico que contribui para diversos problemas globais. Já os holandeses, com suas ações discretas, também não se destacam, apresentando preconceitos e uma antipatia notável em relação a estrangeiros. Apesar de terem dado abrigo a judeus em tempos difíceis, sua colaboração com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial é um capítulo sombrio, ao contrário da resistência notável da Dinamarca, onde a proteção aos judeus foi admirável, conforme relatado por Hannah Arendt em seu famoso livro ‘Eichmann em Jerusalém’. Cerca de 75% da população judaica na Holanda foi exterminada durante o Holocausto, enquanto a Dinamarca se destacou por sua solidariedade.
Entretanto, desviando-se do foco inicial, voltemos ao cerne da discussão. Poderíamos considerar os Estados Unidos como o pior país do mundo? Há argumentos que sustentam essa visão. A vivência em Washington por oito anos revela um lado desagradável de muitos americanos. A lista de crimes cometidos pelo império americano, como o ataque à Venezuela e as sanções contra Cuba, é extensa e preocupante. Contudo, nada se iguala às ações do Estado de Israel, um governo que, na visão de muitos, representa atos de genocídio e terrorismo.
É importante esclarecer que a crítica se dirige ao governo de Israel e ao projeto sionista que resultou em sua criação, e não ao povo judeu como um todo. Vale ressaltar que a maioria dos israelenses apoia as políticas agressivas do governo, especialmente em relação ao Irã e à oposição à criação de um Estado palestino. Essas posturas são também apoiadas por comunidades sionistas em outros países, incluindo Brasil e Estados Unidos.
O livro de John Mearsheimer e Stephen Walt, publicado em 2007, discute o impacto do lobby sionista nos EUA, evidenciando como um país pequeno, como Israel, influencia as decisões de uma superpotência. O recente ataque ao Irã é uma prova clara dessa influência, onde os EUA se envolveram em conflitos por interesses alheios, conforme denunciado por Joseph Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo.
O poder do lobby israelense se estende à política, mídia e finanças, onde controla parte significativa do cenário político americano. A influência se manifesta em campanhas, ações de corrupção e na escolha de políticos. Uma crítica contundente aponta que esse lobby promove ações que resultam em crimes gravíssimos, como o assassinato de crianças palestinas e iranianas. O livro ‘Estilhaços’ aborda essa triste realidade, refletindo sobre o sofrimento infantil e as consequências das ações de Israel.
Além disso, a presença judaica nos setores financeiros é notável, com uma mistura de indivíduos de destaque e outros que se destacam pela mediocridade. Enquanto figuras como Albert Einstein e Karl Marx representam a genialidade, outros, no Brasil, como Celso Lafer e Luís Stuhlberger, são vistos de forma crítica, especialmente considerando suas escolhas e posições.
Voltando à questão do lobby, é intrigante observar como a presença judaica se reflete em diversas instituições financeiras. Contudo, o que realmente importa são as atrocidades cometidas por Israel contra povos em Gaza, Cisjordânia e outras regiões. O Irã, por exemplo, está se mostrando um adversário formidável, retaliando os ataques israelenses, provando que não é um alvo fácil. A guerra iniciada por Israel traz consequências profundas para o cenário global.
Em última análise, é crucial que a comunidade internacional pause e reflita sobre o papel de Israel e seu impacto nas relações globais. O desejo é por um mundo mais pacífico e justo, e que as atrocidades cometidas por Israel sejam finalmente reconhecidas e interrompidas. Que a resistência dos que buscam justiça prevaleça.
Uma versão condensada deste artigo foi publicada na revista Carta Capital.
(*) Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e escritor, ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e teve uma longa carreira no FMI, onde atuou em diversas funções. Seu livro mais recente, ‘Estilhaços’, foi publicado pela Editora Contracorrente em 2024.

