Uma Nova Era para Pupillo
Romário Menezes de Oliveira Jr., conhecido artisticamente como Pupillo, apresenta uma rica tapeçaria sonora em seu álbum solo, que foi lançado recentemente. O artista pernambucano, famoso por seu trabalho como baterista, compositor e produtor musical, traz em sua nova obra a essência musical do mundo. Seis anos após o álbum ‘Sonorado apresenta novelas’, Pupillo dá início à sua discografia solo, que segundo ele, realmente se materializa neste novo trabalho, intitulado simplesmente ‘Pupillo’. O álbum, com 12 faixas, está em rotação desde o dia 6 de março e inclui algumas colaborações notáveis, como a da cantora Agnes Nunes na faixa ‘Forró no asfalto’.
A abertura do disco fica por conta de ‘Tropical exótica’, uma composição que destaca a autenticidade e beleza da música de Pupillo. Essa canção, repleta de texturas sonoras sedutoras e com uma pegada psicodélica, é uma das grandes apostas do artista. A faixa evoca lembranças de sua trajetória, alinhando-se a uma trilha sonora que parece ter um caráter quase cinematográfico, um reflexo da vida do músico.
Uma Música com Sotaque Universal
O músico não se limita a um único estilo. Com uma abordagem contemporânea, Pupillo utiliza uma variedade de instrumentos, como bateria, percussões, MPC e sintetizadores, para criar sua própria versão da música do mundo, partindo de suas raízes em Recife (PE). A diversidade de influências é palpável, especialmente em ‘Bem bom’, que conta com a participação do tecladista francês Hervé Salters, conhecido pelo projeto General Elektriks. Essa colaboração traz um suingue funk característico, evidenciando a universalidade da música de Pupillo.
Em um texto compartilhado nas redes sociais, Pupillo detalhou a inspiração por trás do álbum. “Meu disco é uma homenagem às paisagens e símbolos do Nordeste brasileiro, especialmente de Pernambuco. Este lugar me proporcionou momentos que moldaram minha vivência cultural, desde o litoral ao sertão. O álbum é um pequeno recorte das minhas memórias e experiências, uma expressão da minha geração que se viu nas dificuldades e transformou isso em arte”, explicou.
Colaborações que Enriquecem a Obra
Com uma gama impressionante de colaborações ao longo do disco, Pupillo mantém sua essência como protagonista. Faixas como ‘O sopro de Naná’ e ‘Navegando os novos tempos’, que conta com a participação de Carminho, ressaltam a versatilidade do artista e a variedade de estilos presentes. Nesta última, os vocais da cantora portuguesa se distanciam um pouco de sua origem no fado, mostrando a flexibilidade do gênero musical.
Além disso, a música ‘Que é isso, bicho?’ traz a viola portuguesa, tocada por Davi Moraes, em meio ao ritmo nordestino impulsionado pela sanfona de Felipe Costa. Esta fusão é um testemunho do rico legado cultural que Pupillo continua a explorar.
Um Álbum que Promete Durar
Com uma duração de aproximadamente 37 minutos, o álbum ‘Pupillo’ proporciona uma experiência musical envolvente e variada. A produção mantém a essência do artista, que se destaca como baterista e percussionista em todas as faixas. Compor em um estilo que transita entre o eletrônico e o jazzy, como em ‘Mica sonic groove’ e ‘Entrée’, evidencia a busca de Pupillo por novas sonoridades, enquanto respeita suas raízes.
Essa jornada musical, que inicia agora, certamente promete se expandir ao longo do tempo, funcionando como um retrato vívido da diversidade da música pernambucana do século XXI. Ao que parece, ‘Pupillo’ não é apenas um álbum, mas um convite para uma viagem sonora que merece ser explorada e redescoberta a cada audição.

