Intenção de Compra de Chocolates na Páscoa de 2026
Em meio a um cenário de inflação, os consumidores da Região Metropolitana do Recife (RMR) parecem determinados a manter a tradição da Páscoa. Uma pesquisa realizada pela UniFafire Inteligência de Mercado revelou que 66% dos entrevistados têm a intenção de comprar chocolates na Páscoa de 2026, um número que representa um leve crescimento em relação aos 63% registrados em 2025. O estudo foi realizado entre os dias 10 e 26 de março, envolvendo 814 pessoas de diversos bairros da RMR.
O levantamento também retrata um contraste significativo: 30% dos entrevistados afirmaram que não planejam adquirir chocolates para a data, enquanto 4% ainda não decidiram. Segundo o economista Uranilson Carvalho, do Centro Universitário Frassinetti do Recife, o aumento no desejo de consumo revela um aspecto interessante. “Apesar da alta de 26,3% nos preços do chocolate nos últimos 12 meses, esse crescimento na intenção de compra parece refletir mais a vontade de manter as tradições do que um aumento real no volume de compras”, afirma Carvalho.
O especialista adiciona que os consumidores estão adotando estratégias de substituição para produtos de chocolate, priorizando opções mais acessíveis. “O perfil dos consumidores locais está mudando, e isso é um reflexo direto da situação econômica atual”, ressalta.
Preferências de Compras e Orçamento para Páscoa
Em termos de preferências, a pesquisa indica um equilíbrio entre as escolhas de produtos. Enquanto 32% dos entrevistados planejam comprar ovos de Páscoa, 29% optam por barras de chocolate. Outros 23% pretendem adquirir produtos variados, 13% escolherão caixas de chocolate, e 2% buscarão outras alternativas. O coordenador da UniFafire, João Paulo Nogueira, nota que “o ovo, embora continue a ser um símbolo importante, já não é a única opção. A barra de chocolate tem se tornado uma alternativa mais econômica, permitindo que os consumidores não abandonem o significado da data”.
Quanto ao valor que os recifenses pretendem gastar, a maioria (aproximadamente 55%) planeja um desembolso de até R$ 100. No entanto, a diversidade nas respostas demonstra que a Páscoa de 2026 será marcada por diferentes estratégias financeiras empregadas pelas famílias. “Percebemos uma adequação do orçamento familiar, o que pode refletir uma mudança no cenário de consumo”, explica Nogueira.
Pescados e Tradição na Semana Santa
O estudo também revela que os pescados continuam a ser uma prioridade entre as famílias recifenses durante a Semana Santa. Cerca de 74% dos entrevistados afirmaram que pretendem consumir pescados, um número que é ligeiramente superior ao registrado em 2025, quando 74% disseram o mesmo. Carvalho observa que “mesmo com um crescimento modesto, a preservação das tradições religiosas e culturais permanece forte na comunidade”. Ele também destaca que a proporção de pessoas que não pretendem comprar pescados caiu de 22% para 21%, o que sugere uma maior adesão aos costumes da Páscoa.
Quanto aos gastos com pescados, os dados mostram que 36% dos entrevistados planejam desembolsar entre R$ 100 e R$ 200, enquanto 29% pretendem gastar entre R$ 50 e R$ 100. A pesquisa indica que o ticket médio para pescados é superior ao de chocolates, apontando uma clara hierarquia no consumo de produtos nesta festividade. Nogueira ainda salienta que uma pesquisa recente do Procon-PE evidenciou variações de até 217% em alguns produtos, o que reforça a importância de os consumidores realizarem uma pesquisa de preços antes da compra.
Viagens e a Realidade Econômica na Semana Santa
Em relação às viagens, a maioria dos entrevistados (73%) afirmou que não pretende viajar durante a Semana Santa, um aumento em comparação aos 69% do ano anterior. Somente 22% revelaram planos de viajar. “O consumidor recifense parece estar priorizando a tradição em casa, direcionando o orçamento para a ceia e os itens típicos”, enfatiza Carvalho. Para aqueles que planejam viajar, a praia é o destino mais escolhido, com 49% das preferências, seguido pelo campo, que atrai cerca de 30% dos entrevistados. Quase 20% ainda estão indecisos sobre suas viagens, o que aponta uma oportunidade para o setor hoteleiro regional capturar esses indecisos com promoções atrativas.

