Uma Contribuição Poderosa para o Teatro Ancestral
A cena teatral em Pernambuco vivencia um momento marcante com o lançamento do livro “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral” (2026). A obra, assinada pela pernambucana Agrinez Melo, visa dar visibilidade à escrita que aborda a ancestralidade afrocentrada no contexto teatral, ampliando a narrativa sobre a presença negra nas artes. Com classificação indicativa livre, a publicação é voltada tanto para o público adulto quanto para pesquisadores das artes cênicas.
O lançamento, que ocorrerá no dia 10 de abril, às 19h, no Espaço O Poste, no Recife, foi viabilizado pela DoceAgri, uma iniciativa que promove a acessibilidade nas artes, por meio do financiamento do edital Funcultura, gerido pelo Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE). O preço do livro é R$ 50 e a obra contará com um resumo audiodescrito disponível gratuitamente no canal “I Pele Ti o Dun” no YouTube.
Agrinez Melo, que é candomblecista, atriz, professora, figurinista e diretora teatral, realizará a apresentação com uma programação diversificada. A noite contará com a participação de artistas como Brenda Lima, Cas Almeida, Gabriel Ferreira, Ester Soares e Sthe Vieira, que colaboraram na obra e são figuras notáveis da cena cultural da Região Metropolitana do Recife. A juventude do Núcleo O Postinho ficará responsável pela produção executiva do evento.
Durante o lançamento, haverá uma sessão de autógrafos e uma apresentação da autora, além de um momento especial chamado Ajeum, que significa alimento na língua africana iorubá, preparado pela Ialorixá Mãe Inajá Soares, do Ilê Axé Oxum Ipondá, de Olinda.
Uma Metodologia Inovadora e Inclusiva
Agrinez destaca que a proposta do livro se fundamenta na potência da mulher negra e nos saberes ancestrais conectados ao fazer teatral. A obra apresenta-se como uma abordagem inovadora e contracolonial da arte cênica, com foco nas matrizes africanas e indígenas, e no estímulo à representatividade afrocentrada e feminina no teatro.
“O Livro compartilha a metodologia ‘Poética Matricial dos Orixás Encantados’, que desenvolvi a partir das vivências em terreiros e da ritualidade. Essas energias são incorporadas no Ara Agbara, que significa corpo poderoso em iorubá. Através da descoberta do próprio corpo, reconhecemos o seu poder tanto na cena quanto fora dela, o que representa uma contribuição social significativa,” afirma a autora.
O conteúdo da obra é um convite à inclusão no teatro, unindo performance, teatro e dança, baseando-se nas memórias e experiências que permeiam a criação teatral. Agrinez ressalta sua metodologia inédita, que amplia a discussão sobre rituais ancestrais e destaca o ‘Ara Agbara’ nos palcos.
Um Compromisso com a Mudança
Com “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral”, Agrinez Melo busca contribuir para a transformação dos paradigmas teatrais em Pernambuco e além. A autora planeja distribuir a obra em espaços públicos, como bibliotecas e universidades, e apresentá-la em festivais, mostras e eventos acadêmicos, promovendo o diálogo cultural.
As ilustrações do livro são de Douglas Duan, enquanto a fotografia da capa é de Pht.all, com o design gráfico a cargo de Talles Ribeiro, que também se encarregou da revisão, em colaboração com a escritora Odailta Alves. Everson Melo e Robson Haderchpek contribuíram na revisão, enquanto Luiza Saad ficou responsável pela diagramação. A equipe que realiza esse projeto é totalmente pernambucana, refletindo o compromisso local na valorização da cultura.
Este não é o primeiro trabalho de Agrinez. Anteriormente, ela lançou “Elementos da Encenação e Acessibilidade: relatos de amor e arte nas experiências teatrais” (2022), onde abordou a importância dos recursos de acessibilidade no teatro. Além disso, Agrinez é criadora da oficina teatral “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados”, que permite às pessoas vivenciarem uma imersão nas energias dos Orixás, centrando-se na ancestralidade e na corporeidade.
O lançamento do livro representa uma oportunidade única para celebrar a cultura, a ancestralidade e a arte teatral, reafirmando a importância da mulher negra na cena cultural de Pernambuco e contribuindo para um futuro mais inclusivo e representativo nas artes cênicas.

