Um Olhar Aprofundado Sobre a Cultura Afro-Brasileira
O Museu Guitinho da Xambá, vinculado ao Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar (CAC Bongar), em Olinda, dá início no dia 23 de abril ao seu Programa Educativo Sociocultural, intitulado ‘Giras da Memória’. Este projeto visa promover uma rica imersão cultural, que não apenas preserva o patrimônio cultural, mas também protege e celebra as memórias coletivas do Quilombo Urbano da Xambá.
Com periodicidade anual, o Giras da Memória atuará como um processo contínuo de ativação e fortalecimento do Museu, cuja exposição de longa duração está prevista para ser inaugurada até o final deste ano ou no início do próximo. O projeto é coordenado por uma equipe dedicada que tem como objetivo preservar o legado de Guitinho da Xambá (1982–2021), músico e cientista social que fundou o CAC Bongar em 2016, promovendo um espaço de resistência cultural para a comunidade Xambá.
O programa é organizado em cinco eixos de atuação, que abrangem diversas dimensões e estão alinhados aos fundamentos da espiritualidade de origem africana. A ‘Gira Palavras’, sob a orientação do orixá Xangô, promoverá palestras focadas no direito à memória e em políticas públicas. Já a ‘Gira Experiências’, sob a regência de Oyá, fomentará rodas de conversa e trocas afetivas entre agentes culturais de base comunitária.
A ‘Gira Saberes’, guiada por Oxalá, será voltada para a capacitação em processos museológicos, incluindo planejamento e gestão aplicados a museus. Por sua vez, a ‘Gira Mundo’, sob o comando de Ogum, realizará expedições formativas a outros centros culturais e espaços de memória. Por fim, a ‘Gira Sustentabilidade’, que contará com a orientação de Oxóssi, trabalhará na conscientização sociopolítica e cultural dos participantes, além de desenvolver ações práticas voltadas para a sustentabilidade econômica, social, cultural e ambiental da comunidade xambazeira.
Os projetos do CAC Bongar, como o Cineclube Erê Sankofa e o Bongarbit: Laboratório de Tecnologias Orgânicas e Digitais da Xambá, serão integrados às atividades do Programa, com foco em discutir economia criativa, tecnologia e inovação cultural.
Intelectualidade e Preservação da Memória
A programação do Giras da Memória promete trazer figuras de destaque da intelectualidade negra e da museologia social no Brasil. Entre os participantes, estão o Pai Ivo de Xambá e a professora Cláudia Rose Ribeiro da Silva, diretora do Museu da Maré (RJ), que discutirão o direito à memória e o movimento social na museologia. Este ciclo também contará com a presença de Mãe Beth de Oxum, Elinildo Marinho e Vania Brayner, que abordarão as memórias coletivas e as políticas culturais de base comunitária.
O debate se estenderá com rodas de conversa lideradas por Hildo Leal, fundador e coordenador do Museu Severina Paraíso da Xambá, e Maria da Conceição da Silva (Ceiça Axé de Oyá), representando o Terreiro de Pai Adão. A Mestra Titinha, dirigente do Museu do Mamulengo de Glória do Goitá, Andala Quituche, do Museu das Tradições do Cavalo Marinho, e Julia Amorim, representando o Museu da Parteira, também estarão envolvidas.
Na parte técnica, o museólogo Elinildo Marinho conduzirá uma oficina sobre Introdução ao Plano Museológico em museus de base comunitária. Além disso, o professor Eutrópio Bezerra ministrará uma capacitação em Conservação Preventiva de Acervos em Papel. O cronograma do Programa também inclui expedições culturais ao Museu das Tradições do Cavalo Marinho, ao Museu do Mamulengo de Glória do Goitá, ao Museu da Memória do Povo Marikito Tapuyá, em Escada, e ao Museu do Homem do Nordeste e Cehibra, da Fundaj.
O Programa Giras da Memória é uma realização da empresa Cultivação – memória, educação e ecologia, proponente do projeto, com o incentivo da Lei Paulo Gustavo, uma ação do Ministério da Cultura em parceria com a Secult-PE. O apoio institucional é do Museu do Homem do Nordeste/Fundaj e do NEPE – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade/UFPE.

