Reflexões sobre o uso da tecnologia e a resistência cultural dos povos indígenas
No último dia 20, o programa Roda Viva promoveu um importante debate em comemoração ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril. O escritor e professor Daniel Munduruku, renomado por suas contribuições à literatura e educação indígena, foi o convidado especial da edição.
Munduruku, que possui doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, é um autor prolífico, com mais de 70 obras publicadas. Recentemente, ele fez história ao se tornar o primeiro indígena a integrar a Academia Paulista de Letras, em seus 116 anos de existência.
Durante o programa, o autor abordou os significativos efeitos da internet na educação e na cultura dos povos indígenas. Para Munduruku, essa tecnologia tem proporcionado acesso a novas culturas e um envolvimento mais profundo com um mundo globalizado. “Acho que há duas coisas que nós precisamos pensar. Essas ferramentas são devidamente dominadas pelos jovens indígenas e utilizadas como ferramentas de resistência”, afirmou.
Ele ressaltou que, longe de serem apenas uma forma de consumo, os celulares e a internet são frequentemente utilizados para denotar injustiças e abusos. Munduruku afirmou que esses dispositivos têm o poder de denunciar crimes, maus-tratos e invasões, garantindo que os eventos que afetam suas comunidades não passem desapercebidos. “As redes sociais e a tecnologia podem ser bons instrumentos de resistência e denúncia”, completou.
No entanto, o autor não ignorou o aspecto desafiador do uso dessas tecnologias. “Por outro lado, há esse elemento de consumo, que exige que as pessoas tenham recursos para adquirir. Muitas vezes, isso leva a negociações de coisas de suas próprias terras para conseguir comprar esses bens”, disse, evidenciando um dilema enfrentado por muitos em suas comunidades.
A bancada de entrevistadores foi composta por profissionais de destaque como Anápuàka Tupinambá, jornalista e criador da Etnomídia Indígena e da Rádio Yandê; Auá Mendes, artista visual e arte-educadora do povo Mura; e Carlos Messias, escritora e jornalista. Além deles, participaram também Carolina Dantas, editora da InfoAmazonia; Laís Duarte, repórter da TV Cultura; e Maria Luiza Silveira, psicóloga e jornalista com especialização em questões indígenas.
Com a apresentação de Ernesto Paglia, o programa foi exibido às 22h na TV Cultura, com transmissão simultânea disponível no YouTube e no portal da emissora. Essa iniciativa não apenas amplia o debate sobre as questões enfrentadas pelos povos indígenas, mas também fortalece a visibilidade das vozes que tradicionalmente foram silenciadas.

