Casal Apresenta Versão Inusitada para Lesões da Criança
A apuração do caso de um bebê de apenas 50 dias, internado em estado crítico na Baixada Fluminense, ganhou contornos ainda mais alarmantes. Os pais, que estão detidos sob suspeita de tortura e abuso sexual, alegaram que as sérias lesões da criança foram provocadas por um carrinho que, segundo eles, “fechou com a criança dentro”. Essa versão foi fortemente contestada por especialistas e autoridades envolvidas no caso.
De acordo com informações de uma assistente social que ouviu o casal, eles se mostraram surpresos com a gravidade do estado da criança, o que levantou ainda mais desconfianças sobre a autenticidade de suas explicações. A assistência social registrou que os investigados reconheceram que o carrinho em questão é leve, o que não condiz com a severidade das lesões apresentadas pela bebê.
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O acesso ao inquérito revela um quadro alarmante de violência. A criança foi transferida do Hospital Geral de Nova Iguaçu para uma UTI neonatal, após desenvolver politrauma e convulsões. A pediatra encarregada dos cuidados relatou que a bebê apresentava hemorragia intracraniana, confirmada por tomografia, bem como lesões cerebrais em estágios variados, sugerindo uma condição conhecida como Síndrome do Bebê Sacudido.
Além disso, exames corporais revelaram fraturas antigas em três arcos das costelas, já em processo de cicatrização, o que indica episódios prévios de agressão. Durante uma avaliação oftalmológica, múltiplas hemorragias retinianas foram identificadas, indicando, novamente, a possibilidade de violência.
O caso se complica ainda mais com as suspeitas de abuso sexual. Durante a troca de uma sonda, a equipe médica notou que a criança apresentava um ânus extremamente dilatado, com sinais de sangramento e vermelhidão intensa, condições que são totalmente incompatíveis com a fisiologia de um bebê e alarmantes, pois sugerem violência sexual.
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Atualmente, a bebê segue em estado crítico, necessitando de ventilação mecânica e sedação contínua, com o risco concreto de morte. A pediatra responsável pelo caso também destacou a apatia dos pais, que não buscaram informações sobre a saúde da filha e não demonstraram reações emocionais adequadas ao estado gravíssimo da criança durante o período de internação.
A assistente social ainda revelou que o casal negou qualquer tipo de agressão física e manteve a justificativa relacionada ao carrinho como a única explicação para as lesões. O inquérito aponta que a bebê estava sob os cuidados diretos da mãe na maior parte do tempo, sem interações frequentes com outras pessoas, o que, segundo os investigadores, reforça a possibilidade de que as agressões tenham ocorrido dentro do próprio lar.
Adicionalmente, o histórico do pai, que já possui condenação anterior por tortura contra outra filha, aumenta as suspeitas em relação ao comportamento violento da família. Para as autoridades, não há qualquer justificativa que explique o conjunto de lesões da criança, indicando que as agressões podem ter sido recorrentes ao longo do tempo, evidenciadas pelos diferentes estágios de cicatrização das fraturas.
Em decorrência da gravidade da situação, a Justiça determinou a prisão temporária do casal, enquanto as investigações continuam a apurar todos os detalhes envolvidos nesta potencial prática de estupro de vulnerável e demais crimes.

