A Segurança no Trânsito como Questão de saúde pública
Os acidentes de trânsito, embora não sejam classificados como doenças, configuram um grave desafio para a saúde pública. Essas ocorrências podem resultar em fatalidades, traumas físicos severos, sequelas neurológicas e, em muitos casos, amputações. Além das consequências físicas, os afetados enfrentam dor crônica e sofrimento emocional, impactando diretamente suas famílias e comunidades. Portanto, abordar o tema das vítimas de trânsito é fundamental para promover a prevenção, cuidado e responsabilidade na proteção à vida.
As consequências para os sobreviventes podem variar entre imediatas e duradouras. Entre as lesões mais comuns, estão as fraturas, traumatismos cranioencefálicos e lesões medulares, que podem levar a limitações motoras e prolongadas internações hospitalares. Além das dores físicas, muitos sobreviventes desenvolvem medo de dirigir, ansiedade, sintomas depressivos e luto traumático, tornando difícil retomar a rotina normal após o acidente.
Fatores Evitáveis e a Importância da Prevenção
Um grande número desses acidentes está associado a fatores que podem ser evitados. Práticas como excesso de velocidade, consumo de álcool ou outras substâncias, uso de celular enquanto dirige, desrespeito às sinalizações e a falta de uso de equipamentos de segurança, como capacetes e cintos de segurança, elevam significativamente o risco de mortes e lesões graves. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), adotar medidas simples, como utilizar corretamente capacetes e cintos de segurança, pode reduzir consideravelmente esses riscos.
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A prevenção, portanto, exige ações tanto individuais quanto coletivas. Respeitar os limites de velocidade, não dirigir sob a influência de álcool e evitar distrações são atitudes que salvam vidas. Além disso, garantir a manutenção adequada dos veículos e cultivar uma postura de atenção e empatia nas vias urbanas são práticas essenciais para proteger motoristas, passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres. A segurança viária começa antes mesmo do deslocamento e envolve decisões críticas que devem ser tomadas por todos os usuários das vias.
O Valor Simbólico do Dia Nacional em Memória das Vítimas de Trânsito
Neste contexto, a criação de uma data nacional dedicada à memória das vítimas de trânsito assume um caráter simbólico e educativo de grande relevância. Essa data, comemorada em 7 de maio, visa manter viva a memória daqueles que perderam a vida em acidentes de trânsito e reforçar a necessidade de conscientização sobre segurança nas vias. A lei que institui essa data foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União em 16 de abril de 2024.
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Fonte: edemossoro.com.br
A Lei 15.389 tem sua origem no Projeto de Lei 5.189/2019, de autoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES). O projeto, que recebeu aprovação no Senado em 2022 com um relatório favorável do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), passou pela Câmara dos Deputados e foi aprovado em março deste ano. O senador Contarato enfatizou que a criação dessa data foi motivada pela seriedade do problema dos acidentes de trânsito no país.
Ele trouxe à tona um caso emblemático ocorrido em Curitiba, onde o então deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, ao dirigir embriagado e em alta velocidade, causou um acidente fatal. Contarato, que atuou como delegado de trânsito por 14 anos, expressou a dor que presenciou ao lidar com famílias que perderam entes queridos nessas tragédias. “Hoje sancionamos essa lei porque é hora de entender que por trás das estatísticas existem rostos, vozes e histórias”, declarou o senador no Plenário.

