Josy Caxiado e a promoção cultural de Pernambuco
Há mais de vinte anos, Josy Lacerda Caxiado, reconhecida como Josy Caxiado, utiliza a dança como principal ferramenta para apresentar Pernambuco ao público global. Bailarina, professora de danças populares e diretora do Balé Cultural de Pernambuco, ela também é formada em Turismo, o que fortalece sua atuação na interseção entre cultura, hospitalidade e promoção turística. Desde 2005, quando associou seu grupo ao Recife Convention Bureau, Josy vem participando ativamente de feiras e eventos do setor, aproximando sua arte do trade turístico.
Da dança ao turismo: uma trajetória inesperada
O ingresso de Josy no turismo aconteceu quase por acaso. Inicialmente, buscava oportunidades profissionais sem conhecer profundamente o setor. Com o tempo, percebeu que a cultura e a promoção turística poderiam caminhar juntas. A partir disso, investiu em capacitação para usar a dança como meio de divulgar Pernambuco e o Brasil.
Seu curso em Turismo também surgiu de uma situação inesperada. Pretendia estudar Artes Cênicas na Universidade Federal de Pernambuco, mas não conseguiu vaga. Ao receber uma bolsa em uma universidade particular, optou pelo Turismo, descobrindo que poderia conectar essa formação acadêmica ao trabalho artístico com o Balé Cultural de Pernambuco.
“Percebi que a cultura pode ser uma ferramenta poderosa para promover um destino”, compartilha Josy.
Cultura como porta de entrada para o turismo
Para Josy, estar no turismo significa transformar cultura em informação e conexão. Nas feiras, ela apresenta as histórias, tradições e a receptividade do povo pernambucano, muitas vezes sendo o primeiro contato de visitantes estrangeiros com a identidade do estado.
“A dança é uma linguagem universal. Quando entro em cena com a sombrinha, o figurino e a música, já estou falando de Pernambuco, mesmo sem palavras”, explica.
O reconhecimento que conquistou ao longo dos anos se reflete no carinho de quem a reencontra em diferentes eventos, com pessoas que procuram fotos e colecionam registros das apresentações.
Esse vínculo com profissionais do turismo e o público é uma das forças que motiva Josy a continuar levando a essência pernambucana para o mundo: “Não estou apenas dançando em uma feira, estou levando um pedaço de Pernambuco para aquele lugar”.
O frevo e a diversidade cultural pernambucana
Nas apresentações, o frevo é o protagonista. Josy é passista desde a infância e iniciou seus estudos em danças populares aos 10 anos. A sombrinha, os figurinos e os movimentos expressam a história dessa manifestação cultural, transmitindo Pernambuco em uma linguagem que supera barreiras linguísticas.
Além do frevo, o repertório inclui maracatu, caboclinho, coco de roda, ciranda, xaxado e forró. A intenção é mostrar a riqueza das manifestações culturais do estado, usando o frevo como principal expressão.
“O frevo é minha identidade, mas Pernambuco não se resume a ele. Quero revelar a diversidade cultural que temos”, destaca.
Figurinos que contam histórias
A representação de Pernambuco começa antes da dança. Josy desenha e confecciona seus próprios figurinos, adaptando-os para atender às necessidades das longas apresentações sem perder a identidade cultural.
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Para ela, o figurino deve combinar beleza, representatividade, conforto e funcionalidade, pois também faz parte da narrativa que apresenta Pernambuco ao público.
“O figurino comunica. Antes mesmo de dançar, as pessoas se interessam pela origem e história da roupa”, explica Josy.
Raízes culturais em Olinda
Nascida no Recife e criada em Olinda, Josy cresceu no Sítio Histórico, onde ainda mora. Desde a infância, esteve próxima à cultura popular. Aos 10 anos, iniciou o curso de danças populares, complementando sua formação com ballet clássico, dança contemporânea e dança de salão.
Aos 13 anos, já dava aulas e, em 2003, foi eleita Rainha do Carnaval de Pernambuco, além de fundar o Balé Cultural de Pernambuco. Desde então, sua carreira está profundamente ligada à divulgação das danças populares e manifestações culturais do estado e do Brasil.
Comunicação além das palavras
Mesmo sem fluência formal em outros idiomas, Josy aprendeu o suficiente em inglês e espanhol para se comunicar durante suas viagens. Para ela, a comunicação vai muito além da língua.
Sorrisos, gestos, música, figurinos e movimentos funcionam como ferramentas que criam conexões entre pessoas de diferentes nacionalidades, mesmo sem um idioma comum.
“Quando não há uma língua compartilhada, a dança encontra um caminho. Um sorriso, um gesto ou uma música aproximam pessoas de lugares distantes”, relata.
Uma agenda internacional intensa
Desde 2005, Josy mantém uma agenda intensa de viagens pelo Brasil e exterior, participando de feiras e eventos de promoção turística. Já está no quarto ou quinto passaporte, refletindo a amplitude dessa trajetória.
Ela representou Pernambuco e o Brasil em ações da Embratur, Secretaria de Turismo do Recife, Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas e outros parceiros públicos e privados.
Pernambuco além das fronteiras
Josy já esteve em países da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Equador e Colômbia, além de Panamá e Costa Rica. Nos Estados Unidos, participou do Brazilian Day. Na Europa, passou por Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Inglaterra. Também representou o Brasil na Nigéria.
Apesar da experiência internacional, valoriza a oportunidade de conhecer o Brasil por meio da dança, descobrindo a diversidade cultural do país.
“Viajar pelo Brasil foi uma escola. Cada estado tem sua identidade, história e forma de receber. A dança me permitiu conhecer esse Brasil que muitas vezes só ouvimos falar”, afirma.
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Histórias que transformam vidas
Entre tantas experiências, destaca-se um encontro em Porto de Galinhas, onde conheceu proprietários argentinos que haviam alugado seu apartamento. Eles já tinham uma foto com Josy, fruto de uma conversa anos antes em uma feira na Argentina, quando ainda planejavam deixar o país.
A conversa despertou o interesse pelo destino pernambucano, e anos depois, descobriram que haviam escolhido Porto de Galinhas para morar e trabalhar com turismo.
Esse episódio mostra o impacto da cultura e da informação: uma conversa pode ultrapassar o ambiente de uma feira e transformar vidas.
“Nunca sabemos até onde uma conversa pode chegar. Eu estava apresentando Pernambuco e, sem saber, ajudei a mudar a vida de uma família”, recorda Josy.
O legado que atravessa gerações
Após mais de duas décadas, Josy vive a experiência de ver a filha, Maria Caxiado, seguir seus passos no turismo e na dança. Maria acompanha a mãe em feiras e, às vezes, a representa oficialmente, causando até confusão entre profissionais que veem as duas em eventos distintos ao mesmo tempo.
“Já perguntaram como posso estar em dois lugares ao mesmo tempo”, conta Josy.
Mais que substituir, Maria dá continuidade a uma história familiar marcada pela cultura, arte e promoção turística.
“É gratificante ver minha filha participando e construindo seu caminho, carregando referências da nossa trajetória”, destaca Josy.
Uma história em movimento
Com sua sombrinha de frevo, figurinos e a energia das danças pernambucanas, Josy representa uma narrativa viva sobre Pernambuco, sua cultura, história e hospitalidade.
Sua trajetória revela que a promoção turística vai além de campanhas e números: começa com uma dança, uma conversa, um sorriso ou um figurino.
Depois de mais de 20 anos, transformou sua arte em um cartão de visitas do estado. Agora, ao lado da filha, vê essa história ganhar nova geração.
“Enquanto eu puder dançar, ensinar e representar Pernambuco, seguirei. Levar nossa cultura ao mundo é levar nossa identidade”, conclui Josy Caxiado.

