Programa “Mova-se pelo Futuro” aposta na tecnologia para fomentar deslocamentos sustentáveis
O Recife, conhecida pelo trânsito caótico que dificulta a mobilidade diária, iniciou testes de um programa inovador para incentivar o uso da bicicleta e a mobilidade ativa. A Prefeitura lançou o “Mova-se pelo Futuro”, uma solução tecnológica que recompensa moradores que optam por se deslocar a pé, de bicicleta tradicional ou elétrica (e-bike) para atividades do dia a dia. A participação é voluntária e ocorre diretamente pela plataforma Conecta Recife, sem a necessidade de instalar novos aplicativos.
O sistema contabiliza pontos apenas para trajetos relacionados ao transporte urbano, como ir de casa ao trabalho, escola ou comércio. Caminhadas e pedaladas feitas exclusivamente para lazer ou exercícios físicos não são computadas. Bicicletas elétricas que seguem as normas do Código de Trânsito Brasileiro também são aceitas.
Tecnologia converte deslocamentos em benefícios e integra estratégia ambiental municipal
Desenvolvida pela Bion Global Biocredits Ltda., selecionada pelo edital do EITA Labs, a plataforma conta com apoio técnico da Empresa Municipal de Informática (Emprel) e da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI). O sistema usa GPS e o registro em blockchain, chamado BionChain, para transformar trajetos sustentáveis em Créditos H3RO, que podem ser trocados por vantagens no marketplace da plataforma.
Segundo a Prefeitura do Recife (PCR), o programa está em fase experimental por um ano dentro do Conecta Labs, para analisar o engajamento dos usuários e testar a escalabilidade da tecnologia. Essa ação faz parte do esforço municipal para diminuir as emissões de carbono e fortalecer a cultura da mobilidade sustentável na capital pernambucana.
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Fonte: diretodorecife.com.br
Desafio estrutural limita avanço da mobilidade cicloviária na cidade
Apesar do estímulo digital, quem depende da bicicleta enfrenta um problema antigo: a infraestrutura cicloviária da cidade está estagnada. Recife possui pouco mais de 200 km de rotas, mas apenas 47,2 km foram inaugurados entre 2021 e abril de 2024, menos da metade da meta de 100 km prometida para o atual governo.
Dados da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) mostram que a expansão anual da malha cicloviária caiu de 16% até 2020 para apenas 4% a partir de 2021. O cumprimento do Plano Diretor Cicloviário (PDC) é outro indicador preocupante, com apenas 28% da rede prevista efetivamente implementada.
Além disso, mais de 90% da malha é composta por ciclofaixas, que não possuem segregação física do tráfego motorizado e geralmente se concentram em ruas secundárias e com menor fluxo de veículos, o que limita a segurança e a atratividade do modal para os ciclistas.
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Fonte: decaruaru.com.br
Integração entre inovação tecnológica e políticas públicas ainda enfrenta barreiras
Rafael Cunha, secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, destaca que o EITA Labs, plataforma que viabilizou o projeto, representa a convergência entre inovação e gestão pública. Segundo ele, o objetivo é testar soluções em ambiente real, com foco no impacto positivo para a cidade e seus moradores.
No entanto, o avanço tecnológico esbarra na falta de investimentos consistentes para ampliar e qualificar a malha cicloviária, evidenciando que a transformação digital precisa andar junto com melhorias concretas na infraestrutura para gerar resultados de fato para a mobilidade urbana recifense.
O programa “Mova-se pelo Futuro” e o Cicloviário (PDC) mostram caminhos distintos: enquanto a tecnologia oferece ferramentas para motivar o uso da bicicleta, o desafio estrutural exige uma resposta mais ágil e eficaz para garantir segurança e conforto aos ciclistas, essencial para consolidar uma cultura de transporte sustentável na capital pernambucana.

