Plano Nacional de Salvaguarda do Choro ganha força em Pernambuco
Pernambuco participa ativamente da criação do Plano Nacional de Salvaguarda do Choro, projeto que visa estabelecer diretrizes para a proteção e valorização dessa expressão musical em todo o país. Na próxima terça-feira (10), músicos, pesquisadores, produtores culturais e outros representantes do setor se encontram em Belo Jardim, no Agreste pernambucano, para discutir propostas e apresentar demandas do segmento. O evento ocorrerá às 19h30, no miniauditório do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), com entrada gratuita.
Participação coletiva e reconhecimento cultural
Essa escuta é promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). O objetivo é reunir contribuições de quem mantém viva a tradição do Choro, também conhecido como Chorinho, para elaborar um documento de alcance nacional. Embora o plano não tenha força de lei, ele servirá como um guia coletivo para orientar ações que garantam a preservação, valorização e continuidade dessa manifestação cultural.
O Choro como patrimônio e sua presença em Pernambuco
Reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil em 2024, o Choro surgiu no século 19 no Rio de Janeiro, fruto da mistura de influências musicais europeias, africanas e brasileiras, como polcas, valsas, lundu e modinha. Com o passar do tempo, a expressão musical se espalhou pelo país, assumindo características próprias conforme as tradições locais.
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Pernambuco tem papel relevante nessa história, sendo berço de João Pernambuco (1883-1947), um dos grandes nomes do gênero, nascido na antiga cidade de Jatobá, no Sertão do estado. Atualmente, a tradição segue viva com músicos como Bozó Sete Cordas, Betto do Bandolim, Walmir Chagas, José Arimatéa e seu Regional, Conjunto Sapucaia e Gingadinho Trio, entre outros representantes das novas gerações.
Debates regionais e eixos temáticos
De acordo com a historiadora do IPHAN-PE, Lívia Moraes, a escolha de Belo Jardim como sede do encontro busca ampliar a participação de artistas do Agreste e do Sertão, garantindo que as diferentes experiências regionais sejam consideradas na construção do plano nacional. Discussões similares ocorrem em outras localidades para abranger todo o país.
O encontro organizará as contribuições em quatro eixos principais: Produção, Memória, Educação e Organização Coletiva. Participantes poderão expor os desafios do setor, sugerir soluções e debater iniciativas para fortalecer a presença do Choro na sociedade contemporânea.
Além disso, temas como valorização da diversidade de gênero e racial, protagonismo feminino, reconhecimento do Choro como patrimônio afro-brasileiro e a busca por maior equilíbrio regional na distribuição de recursos culturais estarão em pauta durante as discussões.

