sexta-feira 13 de março

Produção Cinematográfica Gera Novas Oportunidades no Recife

O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, está colocando Pernambuco em destaque na cena internacional. Com quatro indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme, o thriller político já atraiu 2,35 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros. Mas os impactos do longa vão além das telonas, afetando diretamente o turismo e o comércio no centro do Recife.

Uma reportagem do Sebrae revela que a repercussão gerada pela produção abriu portas para pequenos negócios locais. A La Ursa Tours, empresa que atua desde 2017 com roteiros de mobilidade ativa na cidade, é um exemplo claro dessa transformação. A agência oferece passeios a pé ou de bicicleta que exploram diversos pontos históricos da capital pernambucana.

A estreia do filme no Recife, ocorrida em novembro do ano passado, inspirou um novo roteiro turístico. O fundador da agência, Roderick Jordão, percebeu o potencial de transformar locações do filme em uma experiência turística. Ele explica: “Enquanto assistíamos ao filme, já era fácil identificar várias locações. Quando saímos da sessão, percebemos que já tínhamos praticamente um roteiro pronto na cabeça”.

Esse passeio, que tem duração de aproximadamente três horas, inclui locais emblemáticos que aparecem no filme, como o Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano, o Chá-Mate Brasília e o Cinema São Luiz. As vagas para o passeio, que inicialmente eram limitadas a 20 participantes, foram ampliadas para 30, resultando em um incremento de cerca de 20% na demanda por outras atividades oferecidas pela empresa.

Mudança no Perfil do Público e Aumento nas Vendas

Roderick também notou uma mudança significativa no perfil dos participantes: “No início, cerca de 90% dos participantes eram recifenses. Após a premiação no Globo de Ouro, o número de visitantes de fora aumentou. Hoje, o público está mais equilibrado: cerca de 50% são turistas e 50% moradores do Recife”, relata.

O impacto positivo se estendeu também ao Chá-Mate Brasília, uma lanchonete tradicional do centro, fundada em 1984 por Manoel Pinheiro. Atualmente, o estabelecimento é gerido pelos filhos, Paulo Pinheiro e José Suevânio. A lanchonete se tornou um dos cenários do filme e Paulo ressalta a experiência vivenciada durante as gravações. “Foi uma experiência intensa e muito interessante. A equipe passou várias horas gravando para garantir que cada detalhe da cena saísse exatamente como planejado”, conta.

Após a repercussão internacional do filme, o estabelecimento notou um aumento no fluxo de clientes. “Depois da indicação ao Globo de Ouro, percebemos uma mudança positiva, com um aumento de cerca de 30% no movimento, especialmente aos sábados, quando começaram a surgir passeios que visitam as locações do filme no centro”, afirma Paulo.

Comércio Local em Ascensão

O comércio local também se beneficiou da curiosidade impulsionada pelo filme. O empresário destaca que o aumento de visitantes teve um impacto nas vendas, que cresceram entre 25% e 30%. Ele menciona turistas vindos até da Argentina, motivados pela curiosidade de conhecer os cenários filmados. “Recebemos visitantes que vieram especificamente para conhecer a lanchonete”, relata.

Eduardo Maciel, especialista em Economia Criativa do Sebrae Pernambuco, aponta que o sucesso de produções culturais pode trazer benefícios para diversos setores da economia. “Estamos lidando com um produto cultural de altíssima qualidade, que tem um enorme potencial para gerar novas oportunidades e movimentar diferentes segmentos da economia pernambucana. O cinema é uma expressão de criatividade, identidade e uma fonte de bons negócios”, conclui.

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