O ataque que chocou o Recife
Um caso de agressão violenta envolvendo um médico dermatologista na Zona Norte do Recife gerou repercussão nas redes sociais e questionamentos sobre a segurança nos condomínios da cidade. O agressor, identificado como Túlio André Coelho Silva, de 30 anos, foi preso em flagrante, mas acabou liberado durante audiência de custódia. A defesa do acusado classificou a situação como um “fato isolado”, negando qualquer conduta homofóbica por parte de Túlio.
Segundo o médico, que não teve seu nome completo revelado, o ataque ocorreu na madrugada do dia 31 de dezembro, no Edifício Splendid Rosarinho. Ele relatou que o agressor o atacou verbalmente, chamando-o de “viadinho” e afirmando que ele deveria morrer. “Ele entrou em luta corporal comigo. Eu poderia ter ficado desfigurado, além da possibilidade de ter sido assassinado, pois ele não parava de me socar”, desabafou o profissional, que trabalhava em sua residência na hora do ataque.
Após a agressão, o médico relatou que gravou a discussão e pediu ajuda aos seus seguidores no Instagram, mostrando os ferimentos que sofreu. “Fui abordado intempestivamente, a campainha foi tocada e, quando eu disse que não era aquele o apartamento que ele procurava, ele começou a agredir a porta até arrombá-la”, contou, explicando como tudo começou.
A luta por justiça e segurança
Em sua narrativa, o médico enfatizou que o crime foi uma “tentativa de homicídio motivada por homofobia”. Ele citou que o agressor, em várias ocasiões, alegou que a violência era justificada por uma suposta atração que o médico teria por ele. “Ele repetia várias vezes que precisava me matar para defender a honra dele”, afirmou.
O médico também mencionou que, ao buscar ajuda, não recebeu suporte da portaria do prédio, uma situação que deixa claro o desamparo que muitos moradores podem enfrentar em situações de emergência. “A polícia levou de 15 a 20 minutos para chegar, e uma amiga que estava assistindo tudo pelos stories chegou antes”, explicou, ressaltando o desespero vivido no momento.
Após a agressão, o médico recebeu atendimento no Hospital da Unimed, no bairro da Ilha do Leite, onde também registrou um boletim de ocorrência. A Polícia Civil, por sua vez, afirmou que o caso foi devidamente registrado e o agressor autuado por crimes relacionados à homotransfobia, lesão corporal e violação de domicílio.
Medidas cautelares em curso
No dia seguinte ao ataque, Túlio foi submetido a audiência de custódia e, embora tenha sido liberado, terá que cumprir diversas medidas cautelares. Entre elas, estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de se aproximar da vítima. A conduta dele será monitorada, especialmente no que diz respeito a não frequentar as áreas comuns do condomínio onde o crime foi cometido.
Os advogados de Túlio se manifestaram, afirmando que não houve conduta homofóbica e apresentaram registros que, segundo eles, mostram que o agressor possui relações sociais com pessoas homossexuais. A defesa argumentou também que a concessão de liberdade provisória demonstra a ausência de elementos concretos para justificar uma prisão preventiva. Eles alegaram que o laudo médico que atesta a gravidade das lesões não foi produzido por um especialista adequado, levantando dúvidas sobre a seriedade da situação.
O caso segue em investigação, e o médico continua buscando apoio nas redes sociais, enquanto a sociedade se mobiliza para discutir a questão da segurança e da homofobia. “É fundamental que situações como essa sejam tratadas com seriedade. Todos têm o direito de viver sem medo”, finalizou o dermatologista, reafirmando a necessidade de justiça e proteção.

