terça-feira 13 de janeiro

Incidente Violento na Praia

Um casal de turistas de Mato Grosso viveu momentos de terror em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, ao ser agredido por comerciantes locais. O ataque ocorreu após a recusa de pagamento de um valor exorbitante pelo aluguel de cadeiras de praia, o que levantou questões sobre possível homofobia no incidente. As vítimas, Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, estavam desfrutando de suas férias quando se depararam com essa situação constrangedora.

O ataque aconteceu no último sábado (27), e, segundo relatos, um dos turistas precisou de atendimento médico em decorrência das agressões. Johnny contou que, ao chegar na praia, o barraqueiro havia estipulado um preço de R$ 50 pelo uso das cadeiras, mas posteriormente tentou cobrar R$ 80, alegando que, como não haviam consumido petiscos, o valor havia mudado. “A conversa começou cordial, mas rapidamente se tornou hostil”, detalhou Johnny.

O casal, que chegou à praia por volta das 10h, perguntou ao barraqueiro sobre as condições e aceitou o valor inicial. Entretanto, ao pedir a conta às 16h, foram surpreendidos pela cobrança aumentada. “Eu questionei o aumento e disse que não pagaria. Assim que fiz isso, fui agredido com uma cadeira”, relatou o empresário.

De acordo com Johnny, em questão de minutos, aproximadamente 20 pessoas se juntaram à agressão. Ele acredita que a natureza de seu relacionamento pode ter influenciado na violência: “Eles perceberam que somos um casal gay e isso pode ter motivado a brutalidade da situação”. Cleiton, seu companheiro, tentou intervir, mas acabou fugindo na busca por ajuda.

Atendimento Médico e Registro do Caso

Após o ataque, com o auxílio de guarda-vidas civis, o casal foi levado à Delegacia de Porto de Galinhas. Para registrar o boletim de ocorrência, eles precisaram buscar atendimento médico, pois estavam machucados. Curiosamente, a ambulância não estava disponível e o casal optou por um transporte por aplicativo para chegar ao hospital.

Na unidade de saúde, foram informados da necessidade de exames, mas a falta de equipamentos em Porto de Galinhas obrigou-os a se deslocar até Ipojuca. “O médico disse que eu estava machucado e que precisaria de um Raio-X. Mas como a cidade não tem os recursos, tivemos que pegar um Uber até lá”, contou Johnny, ainda abalado com a experiência. Após os exames, que descartaram fraturas, ele recebeu alta, mas relatou que seu rosto estava bastante machucado.

“Se não tivéssemos conseguido sair, eles poderiam ter nos matado. Senti que vi a morte de perto”, desabafou Johnny, refletindo sobre a gravidade do ocorrido.

Resposta das Autoridades

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco se manifestou, afirmando que o caso está sendo tratado como prioridade. Após a chegada das forças de segurança, a situação já estava sob controle. Além disso, a apuração do caso visa identificar e responsabilizar todos os envolvidos nas agressões, e a investigação ficou a cargo da Polícia Civil. A corporação garantiu que a segurança dos cidadãos e turistas é uma prioridade e que casos como esse não serão tolerados.

O g1 também tentou contato com a Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas e com a prefeitura de Ipojuca para entender as regulamentações sobre as cobranças, mas até o momento não obteve retorno. O caso gerou repercussão nas redes sociais, levantando a discussão sobre os direitos dos turistas e a segurança em áreas turísticas.

As vítimas, Johnny e Cleiton, esperam que o incidente não recai sobre outros turistas e que a investigação possa trazer justiça. O medo por trás de um momento que deveria ser de lazer virou um alerta sobre a segurança nas praias do Brasil.

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