Desempenho da Alfabetização em Pernambuco
Pernambuco avança na alfabetização, com 130 dos 184 municípios alcançando os índices estabelecidos pelo Indicador Criança Alfabetizada (ICA). Desses, 117 superaram as metas, enquanto 54 não conseguiram atingir os patamares esperados. O estado, em geral, apresenta 66% de crianças alfabetizadas, cumprindo o objetivo estipulado para 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta terça-feira (31).
Esses números demonstram que a maioria dos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental termina a etapa com um nível adequado de alfabetização. Um levantamento realizado pela União dos Dirigentes Municipais de Educação de Pernambuco (Undime-PE) indica que 70,7% dos municípios atingiram as metas previstas para 2025, com 68,5% já as superando. Quanto à meta de 2026, 63,6% alcançaram o índice esperado, enquanto 59,2% estão acima do patamar. Já para 2030, 33,2% dos municípios atingiram a meta, e 32,1% superaram o indicador.
Desigualdade entre Municípios
Uma análise desses dados revela um contraste significativo entre os municípios do interior e a Região Metropolitana do Recife (RMR). Enquanto as cidades do interior têm mostrado avanços consideráveis, a RMR apresenta desempenho estagnado, frequentemente abaixo das metas. Por exemplo, no Recife, apenas 57% das crianças estão alfabetizadas, enquanto a meta para 2025 era de 68%. No ano anterior, a capital já havia registros abaixo do esperado, com apenas 54% de crianças alfabetizadas na idade correta, em comparação com 65% desejados. Nesse contexto, a capital ocupa a 19ª posição no ranking entre as capitais brasileiras.
Municípios Destaque no Ranking de Alfabetização
Entre os municípios que se destacam, Carnaubeira da Penha é a principal liderança, com 100% de crianças alfabetizadas, superando a meta de 80% estabelecida. Também estão em destaque Quixaba e Rio Formoso, ambos com 98% de crianças alfabetizadas, demonstrando um desempenho acima do esperado. Andreika Asseker Amarante, presidente da Undime-PE, ressalta que a alfabetização deve ser vista em seu contexto, pois envolve realidades diferentes, especialmente nas grandes cidades, onde desafios como a violência e desigualdade social podem impactar o aprendizado.
O Papel das Políticas Públicas e da Colaboração
A elevação da alfabetização é um processo que exige colaboração efetiva entre estados e municípios, conforme destacado pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, instituído pelo governo federal. “Historicamente, os prefeitos se concentraram mais na infraestrutura das escolas, mas a avaliação e formação continuada dos educadores também são essenciais”, enfatiza Andreika. Em relação à definição de uma criança alfabetizada, o Ministério da Educação (MEC) estabelece que essa criança deve ter uma capacidade de leitura e escrita que lhe permita entender textos simples e produzir frases sem necessidade de cópia.
Desafios e Propostas de Melhoria
Segundo Mozart Neves Ramos, especialista da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP, o Brasil ainda apresenta índices de alfabetização inferiores aos de países desenvolvidos, como o Chile. “Uma criança alfabetizada no Chile, em termos de habilidades, corresponde a um aluno brasileiro que estaria finalizando o quinto ano do Ensino Fundamental”, explica. Ele defende a elevação dos critérios para a alfabetização, especialmente em municípios que já superaram a marca de 80% de alfabetização, sugerindo que o próximo passo deve incluir o desenvolvimento de multiletramentos.
A Importância do Monitoramento e da Formação Continuada
O sucesso de algumas cidades em aumentar os índices de alfabetização se associa a uma gestão educacional mais próxima das realidades locais. Andreika Asseker aponta que o monitoramento pedagógico ativo por parte das secretarias de Educação tem sido um diferencial, principalmente em municípios menores, onde a atuação é mais efetiva. Outro aspecto crucial é a atenção individualizada aos alunos, em contextos marcados por desigualdades sociais. “As ações não devem se limitar ao alcance de metas, mas garantir que todos os estudantes avancem em seus aprendizados”, ressalta.
Formação de Educadores e Currículo Alinhado
Para que os índices reflitam de fato o progresso real dos alunos, é fundamental avançar na formação de alfabetizadores, ligando teoria e prática. Apesar dos investimentos, há uma desconexão entre a formação universitária e as necessidades das escolas públicas. Mozart Neves Ramos sugere uma abordagem mais prática e realista na formação de educadores, garantindo que o currículo esteja alinhado com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular, priorizando competências cognitivas, socioemocionais e comportamentais que atendam às demandas da sociedade contemporânea.

