Aliança Estratégica em Pernambuco
O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou sua aliança com a Frente Popular, estabelecendo uma estratégia eleitoral para as próximas eleições. A decisão foi formalizada em uma reunião realizada no último sábado (28), que culminou em um ato de lançamento da pré-candidatura do senador Humberto Costa à reeleição. O evento contou com a presença do prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), do pré-candidato a vice, Carlos Costa (Republicanos), e da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT), que também busca uma vaga no Senado, completando assim a chapa.
Em um auditório repleto de militantes, representantes do PSB foram vistos antes mesmo da votação no diretório. A expectativa se dissipou pouco depois do meio-dia, quando Humberto Costa (PT) apareceu no local acompanhado de João Campos, Marília Arraes, Carlos Costa e outras lideranças da Frente Popular. Durante sua fala, Humberto destacou a importância de sua trajetória no PT. “Minha história está entrelaçada com a do PT, que sempre foi o único partido ao qual estive vinculado, tanto nas dificuldades quanto nas conquistas. É uma honra ter novamente o apoio dessa sigla”, declarou o senador.
Ao abordar a aliança, Humberto Costa ressaltou as ações recentes do partido e o papel de João Campos como presidente nacional da sigla. “O PSB manifestou seu apoio a Lula desde o início. A presença do PSB em nosso governo, com o vice-presidente e ministérios essenciais, foi fundamental para barrar a extrema-direita. O que seria do Brasil se perdêssemos a eleição?”, questionou Humberto, relembrando alianças formadas em 2022, 2018, 2010, 2006 e até mesmo antes. Ele citou que, em 2000, quando João Paulo, do PT, venceu a prefeitura do Recife, o então governador Miguel Arraes declarou seu apoio ao PT independentemente da vontade do partido.
Humberto também elogiou a gestão de João Campos na Prefeitura do Recife. “Você já demonstrou que é possível sempre buscar mais. Sua administração é voltada para o futuro, garantindo lazer e proteção ao meio ambiente”, apontou, listando as realizações municipais dos últimos cinco anos. João Campos agradeceu a parceria e elogiou Humberto: “Você é uma pessoa íntegra, que sabe jogar em equipe”, afirmou o prefeito e pré-candidato ao governo. “Quando assumi a presidência do PSB, deixei claro que o PSB seria o primeiro partido a apoiar Lula”, acrescentou.
Durante sua fala para os militantes do PT, Campos procurou deixar para trás seu passado, sem fazer um pedido de desculpas pela campanha antipetista que conduziu no segundo turno de 2020. Ele lembrou que foi questionado pela imprensa sobre a composição “muito lulista” da chapa e respondeu: “Estou feliz com isso, pois sou lulista e não tenho problemas em afirmar. A partir de agora, seremos uma voz coesa dentro deste campo político”, afirmou. “O lado do PT e do PSB é o lado que defende as causas populares em Pernambuco”.
Um Evento com Diversas Vozes
O pré-candidato a governador aproveitou a presença do diretório estadual para acalmar os militantes ainda céticos em relação ao PSB, mencionando o ex-deputado federal Fernando Ferro (PT), que votou contra a aliança. “A Frente Popular estará presente em todas as cidades e unidos, sabemos onde queremos chegar. Estou otimista com a equipe que montamos. Tenho certeza de que teremos a maior votação em uma eleição para dois senadores em Pernambuco”, afirmou Campos.
Outro momento importante foi a declaração do ministro Silvio Costa Filho (Republicanos), que desejava uma candidatura ao Senado, mas aceitou a indicação de Carlos Costa como vice-governador. “Humberto, estamos felizes em estar ao seu lado. O que o Republicanos puder fazer para que você seja reeleito senador, faremos”, declarou. Ele também se comprometeu com Marília Arraes (PDT), ressaltando que Pernambuco terá, pela primeira vez, duas senadoras. Costa ainda elogiou Fernando Ferro e seu pai, o ex-deputado federal Silvio Costa, destacando seu papel em defesa da ex-presidente Dilma Rousseff.
A ministra Luciana Santos (PCdoB), que ainda não decidiu se concorrerá este ano, ressaltou a necessidade de coesão na Frente Popular. “Pernambuco está mais uma vez tomando a direção certa com esta chapa, e dará uma grande votação ao presidente Lula”, disse. A colega de bancada de Humberto no Senado, Teresa Leitão (PT), enfatizou a importância da luta ideológica. “Precisamos defender os projetos que Pernambuco e o Brasil necessitam, com foco na soberania e no combate à misoginia”, comentou. “É uma eleição que exige posicionamento claro na disputa de ideias”.
A futura companheira de chapa de Humberto, Marília Arraes (PDT), mencionou que estará feliz em caminhar ao lado dele a partir do próximo ano, ressaltando que não há divisões dentro do grupo. Ela recordou da eleição de 1998, quando seu avô Miguel foi derrotado, e expressou sua lealdade à história do PT em campanhas passadas.
Divisões Internas no PT
Na reunião em que se decidiu a adesão à Frente Popular, a proposta de apoio exclusivo à pré-candidatura de João Campos foi aprovada, mas nem todos os membros estavam de acordo. O diretório estadual do PT conta com 80 integrantes; dos quais, apenas 63 (84,2%) votaram a favor da resolução, enquanto 12 (15,8%) foram contrários, incluindo figuras como Fernando Ferro e Pedro Alcântara.
Fernando Ferro, em uma declaração após o evento, afirmou que, apesar da decisão oficial, muitos membros do partido irão apoiar outras chapas. “As divisões dentro do partido são evidentes. Embora o PT tenha optado por um caminho, muitos militantes apoiarão candidatos que também estão alinhados com Lula”, disse. Ele acredita que é vital ampliar o apoio a Lula em Pernambuco, dada a competitividade da eleição, onde até uma pequena margem de votos pode fazer a diferença.
