Uma trajetória marcada por altos e baixos nas Copas
Desde que conquistou seu primeiro título em 1978, a Argentina acumulou mais dois troféus mundiais (1986 e 2022) e esteve presente em outras duas finais (1990 e 2014). A seleção deixou de ser vista apenas como “campeã moral” para se firmar como uma força verdadeira no futebol mundial. Apesar disso, o caminho até esses sucessos foi sempre repleto de drama e desafios.
Em 1982, na Espanha, a equipe chegou cercada de dúvidas sobre o comando do técnico César Luis Menotti e enfrentava um país abalado pela Guerra das Malvinas, o que resultou em uma campanha para ser esquecida. Quatro anos depois, no México, a Copa foi marcada por Diego Maradona, sua ‘mão de Deus’ e o lendário ‘gol do século’, que ajudaram a Argentina a conquistar o bicampeonato. Mesmo assim, a confiança na equipe era limitada, com pressão até do presidente Raúl Alfonsín para a demissão do técnico Carlos Bilardo antes da estreia.
Momentos de tensão e surpresas nas Copas seguintes
A Copa de 1990, na Itália, foi um milagre para a seleção, que surpreendeu ao chegar à final mesmo sem apresentar o futebol tradicionalmente esperado. As vitórias apertadas e decisões nos pênaltis, especialmente graças ao goleiro Sergio Goycochea, marcaram a campanha, que terminou com uma derrota controversa para a Alemanha.
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Em 1994, nos Estados Unidos, o drama tomou conta antes e durante o torneio. Após eliminatórias difíceis, Maradona foi convocado para a repescagem, e a equipe parecia imparável até a revelação do doping que derrubou o craque e abalou o grupo. Já em 1998, sob o comando de Daniel Passarella, a seleção enfrentou dificuldades ofensivas e foi eliminada nas quartas de final pela Holanda, apesar da expectativa de avançar às semifinais.
Oscilações entre otimismo e decepção
Na Copa de 2002, realizada na Coreia do Sul e Japão, a equipe de Marcelo Bielsa veio com grande expectativa após uma campanha perfeita nas eliminatórias, mas acabou eliminada na fase de grupos, frustrando os torcedores. A edição de 2006, na Alemanha, trouxe uma seleção mais equilibrada sob José Pekerman, que quase eliminou a anfitriã e avançou para as quartas de final, mas decisões táticas, como deixar Messi no banco, deixaram dúvidas sobre o potencial do time.
Em 2010, na África do Sul, com Maradona na função de técnico, a equipe foi instável e sofreu uma goleada de 4 a 0 para a Alemanha nas quartas, encerrando a campanha de forma precoce. Quatro anos depois, em casa, no Brasil, apesar das divisões internas e do futebol questionado, a Argentina chegou à final, perdendo por pouco para a Alemanha, numa campanha considerada melhor do que o esperado.
Confusão e transformação até o título de 2022
A Copa de 2018, na Rússia, foi marcada pela instabilidade sob o comando de Jorge Sampaoli, com uma equipe tensa e dividida, que acabou eliminada nas oitavas de final após uma derrota por 4 a 3 para a França. Essa fase turbulenta deu lugar a um novo ciclo com Lionel Scaloni, técnico interino que se consolidou no comando. Jovem e com mentalidade europeia, Scaloni conseguiu unir o grupo, manejar os egos e construir um time que potencializou o talento de Messi.
Assim, a Argentina chegou à Copa do Mundo de 2022 no Catar com uma equipe mais sólida e tranquila, capaz de defender seu título com segurança, sem os dramas que marcaram suas campanhas anteriores. A conquista representou a maturidade de um elenco que aprendeu a lidar com as pressões e a jogar em equipe, confirmando a seleção como uma das grandes potências do futebol mundial.

