Novas Tarifas de Ônibus na Região Metropolitana do Recife
Desde a zero hora deste domingo (1°), os passageiros que utilizam o transporte público na Região Metropolitana do Recife (RMR) estão enfrentando um reajuste de 4,46% nas tarifas dos ônibus. Essa alteração, que foi aprovada no dia 13 de janeiro durante uma reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), eleva o preço do Bilhete Único (Anel A) de R$ 4,30 para R$ 4,50, refletindo as preocupações atuais sobre os custos do serviço de transporte na região.
Os novos valores, que também se aplicam ao Anel G e a linhas especiais, consideram a variação da inflação de 2026. Os detalhes das tarifas são os seguintes:
- Anel A (Bilhete Único): R$ 4,50
- Anel G: R$ 3,00
- 041 – Setúbal (Opcional): R$ 5,80
- 064 – Piedade (Opcional): R$ 8,70
- 072 – Candeias (Opcional): R$ 8,70
- 160 – Gaibu/Barra de Jangada (Via Paiva): R$ 8,70
- 191 – Recife/Porto de Galinhas (sem ar-condicionado): R$ 15,40
- 195 – Recife/Porto de Galinhas (Opcional): R$ 22,50
- 214 – UR-02/Ibura (Opcional): R$ 8,70
- 229 – Marcos Freire (Opcional): R$ 8,70
- 342 – Curados (Opcional): R$ 8,70
Entretanto, a aprovação do reajuste não ocorreu sem controvérsias. A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco denunciou irregularidades durante o processo que levou à definição do aumento. Apesar das dificuldades legais, o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Ricardo Paes Barreto, confirmou a validade do reajuste na última sexta-feira (30/1).
Justificativas para o Reajuste
O argumento central para o aumento das tarifas é a necessidade de cobrir os custos operacionais do sistema de transporte durante o ano. Este aumento afetará diretamente a rotina de aproximadamente 1,8 milhão de pessoas que utilizam diariamente os ônibus da região. Como um exemplo das dificuldades enfrentadas, quem utiliza o Bilhete Único já sente o impacto do novo valor.
Além disso, segundo o Grande Recife Consórcio de Transportes, a proposta de reajuste levou em conta a inflação de 2026 e estudos tarifários que indicam que, para cobrir adequadamente os custos de operação do sistema – incluindo combustível, salários e manutenção da frota – a tarifa técnica deveria ser ajustada para R$ 6,14. Para mitigar o impacto nos usuários, o governo estadual optou por manter o sistema de bilhete único e oferecer subsídios significativos, totalizando cerca de R$ 500 milhões.
Irregularidades e Controvérsias Legais
A polêmica em torno do aumento não terminou com sua aprovação. No dia 23 de janeiro, o TJPE suspendeu a decisão do reajuste devido a indícios de irregularidades no procedimento administrativo que o aprovou. A juíza Nicole de Farias Neves afirmou, em sua análise, que houve falhas formais, como descumprimento de prazos e falta de relatórios técnicos essenciais.
Enquanto a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco argumentava que não houve irregularidades, a manutenção da suspensão se tornou um ponto crítico na discussão. Porém, na sexta-feira (28/01), o desembargador Ricardo Paes Barreto reverteu a liminar, afirmando que a suspensão prejudicaria a oferta do serviço e teria um custo significativo para o estado.
Próximos Passos e Reações
A decisão do TJPE causou reações imediatas. A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco manifestou seu descontentamento com a medida, rotulando-a como unilateral e anunciou que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A mobilização evidencia a preocupação com o impacto das tarifas sobre a acessibilidade e qualidade do transporte público para a população.
Com a implementação do reajuste, os usuários enfrentam um cenário complicado, onde a busca pela melhoria do transporte público se contrapõe às realidades econômicas enfrentadas na região. A expectativa é que novas discussões e movimentos surjam para buscar soluções que garantam a qualidade e a acessibilidade do transporte público no Grande Recife.

