Críticas e Elogios na Avaliação do Carnaval
Na reunião plenária realizada nesta segunda-feira (23), deputados da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) discutiram a organização do Carnaval no estado. O evento, que é uma das maiores festividades culturais do Brasil, recebeu tanto críticas quanto elogios, principalmente em relação à coleta de lixo e à fluidez do trânsito. Além disso, a questão do patrocínio de plataformas de apostas e a utilização de inteligência artificial nas decorações das ruas foram amplamente debatidas. A atuação das forças de segurança gerou divergências: enquanto alguns parlamentares relataram casos de violência policial, outros fizeram defesa do trabalho realizado pelos agentes durante os festejos.
João Paulo, do PT, foi um dos críticos mais veementes do que ele chamou de “pasteurização” do Carnaval pernambucano. Ele lamentou a crescente presença de publicidade de plataformas de apostas e o uso de tecnologia que, segundo ele, desvaloriza o trabalho de artesãos e das tradicionais agremiações culturais. O deputado também relatou incidentes de abusos por parte da Polícia Militar, especialmente durante eventos como o show do rapper Djonga, que paralisou sua apresentação para abordar a atuação policial, que o público considerou excessiva.
“Presenciei isso em lugares como o encontro do Cariri com o Homem da Meia-Noite e no Recife Antigo. Alguns policiais parecem ter prazer em intimidar quem está apenas se divertindo”, criticou João Paulo, pedindo responsabilidade tanto da Prefeitura do Recife quanto do Governo do Estado.
Dani Portela, do PSOL, também expressou sua insatisfação em relação à organização do Carnaval em Olinda. Para ela, a gestão da festa foi inadequada, resultando em acúmulo de lixo e intenso tráfego de veículos em meio aos foliões, o que colocou vidas em risco. Além disso, a deputada denunciou a violência policial, que contrasta com as afirmações do governo sobre a segurança do evento.
Por outro lado, ela criticou a presença de anúncios de casas de apostas online, defendendo a necessidade de proibir essa prática para proteger a cultura local e garantir o pagamento justo aos artistas que contribuem para o Carnaval. “Respeitar a cultura vai além de declarações; é essencial honrar quem faz e vive a cultura pernambucana”, destacou.
Rosa Amorim, também do PT, corroborou as críticas, sugerindo que a desorganização observada no Carnaval de Olinda poderia ser parte de uma estratégia mais ampla para desvalorizar a cultura popular. Ela contou que grandes orquestras foram forçadas a interromper suas apresentações devido à intervenção policial e clamou por ações contra abusos. “Ninguém é contra a segurança, mas esta não pode se tornar sinônimo de excesso e justificar abusos. A segurança não pode gerar mais violência”, enfatizou.
Defesa das Forças de Segurança
Em contraste, Joel da Harpa, do PL, elogiou o trabalho das forças de segurança durante o Carnaval, afirmando que, apesar de algumas ocorrências isoladas, a atuação foi eficaz e contribuiu para um dos Carnavais mais pacíficos na história de Pernambuco. “Ser policial durante o Carnaval não é uma tarefa fácil, mas 99% da tropa trabalhou com precisão, garantindo um evento tranquilo”, defendeu.
Romero Albuquerque, do União, também fez críticas, questionando os gastos do Governo do Estado e exigindo que as medidas de segurança sejam mantidas durante todo o ano. Ele ainda reportou problemas relacionados às refeições oferecidas aos policiais e preocupações com a segurança pública.
Investimentos em Saúde e Educação
No campo da saúde mental, Jarbas Filho, do MDB, celebrou a convocação de 727 analistas de psicologia educacional para as escolas da rede estadual, destacando que essa medida representa um avanço significativo para o suporte aos estudantes. O deputado elogiou a governadora Raquel Lyra pelo compromisso com a saúde mental dos alunos e professores. “A presença de psicólogos nas escolas é uma prova da responsabilidade do governo com a saúde mental”, afirmou.
Renato Antunes, do PL, também parabenizou a contratação, ressaltando que agora todas as 1.081 escolas estaduais terão apoio psicológico, um passo necessário diante das questões de saúde mental enfrentadas por alunos e educadores, especialmente em tempos desafiadores.
Avanços na Pesquisa e Agricultura
Simone Santana, do PSB, destacou os avanços nas pesquisas relacionadas à polilaminina, uma substância que pode ajudar na recuperação de lesões medulares. Ela enfatizou a importância de democratizar o acesso a essas inovações por meio do SUS. “Essa conquista mostra a força da pesquisa brasileira, mesmo diante de dificuldades orçamentárias”, comentou.
Por fim, Izaías Régis, do PSDB, anunciou a realização da Expo Garanhuns 2026, uma feira agropecuária que ocorrerá de 11 a 15 de março, com foco na promoção da economia rural e inovações no setor. Ele pediu apoio a autoridades e empresários, ressaltando o potencial agrícola da região. “O Agreste Meridional pode produzir tanto quanto outros estados, mas precisamos de apoio para isso”, concluiu.

