Medidas Administrativas em Resposta à Violência
A barraca em Porto de Galinhas, onde um casal de turistas foi agredido, ficará interditada por uma semana. Além do fechamento temporário do estabelecimento, todos os funcionários envolvidos no incidente serão afastados enquanto a investigação estiver em andamento. Jhonny Andrade e Cleiton Zanatta, os turistas agredidos, relataram que foram atacados após se recusarem a pagar pelo aluguel de cadeiras. A polícia já identificou ao menos 14 pessoas relacionadas ao episódio.
A decisão de interditar a barraca foi anunciada pela prefeitura, que justificou a medida como parte de um conjunto de ações administrativas para garantir a apuração dos fatos e a manutenção da ordem pública. Em resposta, Maura Santos, proprietária do estabelecimento, optou por não fazer comentários sobre a determinação.
Porto de Galinhas: Um Destino Turístico em Foco
Localizada na Região Metropolitana de Recife, Porto de Galinhas é um dos balneários mais famosos do Brasil. O distrito de Ipojuca é conhecido por suas impressionantes piscinas naturais e águas límpidas, atraindo tanto moradores quanto turistas em busca de passeios de jangada, mergulhos e aventuras de buggy por praias como Muro Alto e Maracaípe.
Em virtude do ocorrido, a prefeitura informou que estão sendo implementadas várias medidas emergenciais, incluindo:
- Reforço nas ações de fiscalização na orla, com aumento do efetivo da Guarda Municipal e da Secretaria de Meio Ambiente na área;
- Notificação formal à barraca para que os garçons e atendentes envolvidos sejam afastados imediatamente, até que a investigação seja concluída;
- Intensificação da fiscalização para evitar práticas irregulares, como a venda casada e a imposição de consumação mínima;
- Fortalecimento da supervisão quanto ao cumprimento do Código de Defesa do Consumidor, incluindo a fiscalização sobre pessoas atuando de maneira irregular como “flanelinhas”.
Caso ocorram situações de emergência ou se os moradores precisarem fazer denúncias, a prefeitura orienta que entrem em contato com o Centro Integrado de Defesa Social Municipal (Cidem) pelo telefone (81) 99463-2859.
Ação da Polícia e Responsabilidade dos Barraqueiros
Na segunda-feira (29), dois dias após a agressão aos empresários, a Polícia Civil realizou uma operação em Porto de Galinhas para intimar os barraqueiros que trabalham na praia a depor sobre o caso. Segundo informações do governo do estado, ao menos 14 pessoas já foram identificadas como envolvidas na confusão. A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento e mais informações serão disponibilizadas apenas ao término do inquérito.
Deomaci Ramos, secretário de Turismo de Ipojuca, enfatizou que é imprescindível que os barraqueiros informem nos cardápios sobre as regras e medidas implementadas. Os comerciantes têm o direito de cobrar pelo aluguel de cadeiras e guarda-sóis, mas não podem vincular o valor ao consumo nas barracas.
“O Código de Defesa do Consumidor proíbe essa prática, que é considerada venda casada. Você se senta, não paga pela cadeira, e é forçado a consumir um valor X”, explicou Ramos.
Confusão e Atendimento Médico Após as Agressões
O incidente que gerou toda essa repercussão aconteceu no sábado (27). Testemunhas capturaram imagens do tumulto na praia, onde é possível ver os turistas sendo socorridos pela Guarda Municipal. Em um dos vídeos, Jhonny aparece com o rosto machucado e ensanguentado.
Em um relato ao g1 no dia seguinte ao ocorrido, Johnny afirmou que as agressões começaram após ele questionar o preço cobrado. Ele também notou indícios de homofobia no ataque. Segundo o turista, o atendimento médico foi necessário antes mesmo de registrarem o boletim de ocorrência devido aos ferimentos e dores no corpo.
Além disso, Johnny usou suas redes sociais para denunciar a precariedade da estrutura em Porto de Galinhas, revelando que teve que se deslocar por meio de aplicativo entre a delegacia e duas unidades de saúde, pois uma delas não dispunha de um aparelho para realizar raios-X.

