segunda-feira 26 de janeiro

Montadora Chinesa Leva a Vaquejada ao Estádio da Arena Pernambuco

A Arena Pernambuco, com capacidade para 45.440 espectadores e construída para a Copa do Mundo de 2014, se tornará a sede da final do Circuito Nacional BYD de Vaquejada em 2026. Esta competição, agendada para novembro, marca a estreia oficial da empresa chinesa BYD como a patrocinadora principal da vaquejada, além de ser a primeira vez que um equipamento esportivo dessa magnitude abriga um evento que envolve a utilização de animais.

Localizada em São Lourenço da Mata, a aproximadamente 19 quilômetros do Recife, a Arena Pernambuco é normalmente associada a grandes eventos esportivos, como partidas de futebol. No entanto, em 2026, o local se transformará em um palanque para a vaquejada, uma prática que consiste na captura e derrubada de bois, frequentemente criticada por grupos de defesa dos direitos dos animais.

O Circuito Nacional BYD de Vaquejada contará com 16 etapas ao longo do ano, das quais sete ocorrerão em Pernambuco. A escolha do estádio pernambucano para a final confere ao evento um caráter de grande porte, associando-o simbolicamente a competições esportivas tradicionais e ampliando sua visibilidade na mídia nacional.

O anúncio do evento foi realizado diretamente no gramado da Arena Pernambuco, durante uma transmissão ao vivo que contou com a participação do cantor Wesley Safadão e da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. A governadora reafirmou o apoio institucional do governo para a realização do circuito, destacando a importância cultural e identitária da competição para o estado. “Pernambuco recebe de braços abertos o Circuito Nacional BYD de Vaquejada. É uma competição de alcance nacional, mas com grande parte acontecendo no nosso estado. Isso é muito importante para a nossa cultura, nossa alma e nossa identidade”, declarou Raquel Lyra.

Em outra declaração, a governadora traçou um paralelo entre o futebol e a vaquejada, afirmando: “Onde é clássico do futebol, teremos clássico de vaquejada. No lugar do gol, teremos a faixa de boi.” Essa comparação, no entanto, gerou críticas de ativistas e especialistas, que consideram a equiparação uma tentativa de normalizar uma prática que gerencia violência contra os animais. Para esses críticos, o discurso banaliza o sofrimento dos bois, colocando-os em um patamar semelhante a outras atividades esportivas que não envolvem exploração animal, especialmente em um espaço público ligado ao lazer e à inclusão.

A participação da BYD como patrocinadora principal também levanta questionamentos. Conhecida como a maior fabricante de veículos elétricos do mundo, a montadora construiu sua imagem global em torno de valores como sustentabilidade, inovação e responsabilidade ambiental. Ao associar sua marca a uma competição que envolve a utilização e o domínio de animais, a empresa pode ser vista como contraditória em relação à mensagem socioambiental que promove em suas campanhas.

A legalização da vaquejada no Brasil, resultante de intensa pressão política e econômica, não elimina os impactos negativos na saúde física e mental dos animais envolvidos. Críticos da prática ressaltam que ela pode levar a fraturas, lesões internas, rompimento de ligamentos e até a morte dos bois. Para os especialistas, o debate transcende os aspectos legais, englobando questões éticas sobre os limites do entretenimento e o papel das empresas e do governo na promoção de atividades desse tipo.

Diante do anúncio da final do Circuito Nacional BYD de Vaquejada na Arena Pernambuco, organizações e ativistas dos direitos animais em Pernambuco já iniciaram mobilizações contra o evento, prometendo ações de conscientização e protestos nos próximos meses.

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