A Importância da Moradia Digna na Campanha da Fraternidade 2026
A Campanha da Fraternidade 2026, promovida anualmente pela Igreja Católica durante a Quaresma, começa nesta quarta-feira (18) com uma reflexão sobre responsabilidade coletiva, justiça social e o cuidado com a vida. O lançamento oficial da campanha acontece na Igreja Concatedral do Santíssimo Coração Eucarístico de Jesus, localizada no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, às 16h. A cerimônia de abertura será marcada pela celebração da Missa de Cinzas, presidida pelo arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa.
Este ano, a iniciativa traz como tema “Fraternidade e Moradia”, visando despertar a consciência sobre o direito à habitação digna e os desafios enfrentados por famílias em situação de vulnerabilidade. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) explica que a escolha do tema foi feita após uma solicitação da Pastoral da Moradia e Favela, com o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), que reforça a relevância da questão da moradia.
Iniciativas ao Longo da Quaresma
Durante este período quaresmal, paróquias, movimentos e pastorais têm a missão de promover atividades relacionadas ao tema, culminando na Coleta Nacional da Solidariedade, que ocorrerá no dia 29 de março. Os recursos arrecadados serão direcionados a projetos sociais, refletindo o compromisso da Igreja em atuar na realidade social do país.
A celebração de lançamento na capital pernambucana também se conecta com o Sínodo Arquidiocesano e as festividades que marcam os 350 anos da Arquidiocese de Olinda e Recife, ressaltando a importância desta data para a história da Igreja na região.
Retomada da Temática da Moradia
Não é a primeira vez que a Campanha da Fraternidade se debruça sobre o direito à habitação. Em 1993, o tema “Moradia” foi abordado com o lema “Onde moras?” (Jo 1,39), onde foram destacadas as disparidades urbanas e a diferença entre a “cidade legal”, planejada e estruturada, e a “cidade irregular”, caracterizada por favelas e moradias precárias. Naquele ano, a Campanha também trouxe à tona problemas como a especulação imobiliária, a má distribuição do solo urbano, a falta de saneamento e de investimentos públicos, além do crescimento de favelas em áreas de risco, refletindo a exclusão habitacional das populações mais carentes.
Entre as propostas levantadas pela Campanha de 1993 estavam a regularização de áreas ocupadas, a construção de moradias populares, o oferecimento de subsídios habitacionais e o fortalecimento das associações comunitárias e da Pastoral da Moradia. De acordo com a CNBB, ao retomar essa temática em 2026, a Campanha da Fraternidade reafirma sua missão de transformar a espiritualidade da Quaresma em um compromisso concreto com a justiça social, promovendo a conscientização sobre o direito à habitação digna como um aspecto fundamental da fé cristã.
Desafios Atuais da Moradia no Brasil
Atualmente, dados da CNBB revelam que cerca de 6,2 milhões de famílias no Brasil não possuem moradia adequada, e aproximadamente 328 mil pessoas vivem em situação de rua. Esses números refletem a urgência de ações efetivas para garantir um lar digno a todos.
História da Campanha da Fraternidade
A Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela CNBB, visa, durante a Quaresma, estimular uma reflexão concreta sobre temas sociais à luz do Evangelho. A primeira edição aconteceu em 1962, em Nísia Floresta (RN), idealizada por Dom Eugênio de Araújo Sales. No ano seguinte, a iniciativa se expandiu para três dioceses do Rio Grande do Norte e mais 13 dioceses do Nordeste, recebendo uma adesão significativa, especialmente em Fortaleza (CE), sob a liderança de Dom José de Medeiros Delgado.
Em 1963, durante o Concílio Vaticano II, os bispos brasileiros decidiram universalizar a Campanha em todo o país, com a comunicação da decisão feita por Dom Hélder Câmara, então secretário-geral da CNBB. Assim, em 1964, a Campanha da Fraternidade tornou-se um evento nacional, administrado pela Cáritas e pela CNBB, focando na mobilização de solidariedade e na arrecadação de recursos para a promoção da fraternidade cristã.
Conforme a CNBB, 60% dos valores arrecadados permanecem nas arquidioceses, alimentando os Fundos Arquidiocesanos de Solidariedade, que apoiam projetos locais. Os 40% restantes formam o Fundo Nacional de Solidariedade, voltado a iniciativas sociais em todo o Brasil, reforçando assim a atuação da Igreja em prol dos mais necessitados.

