Motivos para o Cancelamento da Paixão de Cristo
A Paixão de Cristo do Recife, um dos maiores eventos teatrais da cidade, não será encenada em 2026. A notícia, ainda não oficializada, ganhou divulgação em grupos de WhatsApp nesta quarta-feira (25). O espetáculo, que é promovido pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe) e aclamado pelo público no Marco Zero, deveria celebrar sua 28ª edição este ano.
O produtor Paulo de Castro, que também é presidente da Apacepe, confirmou à Folha de Pernambuco o cancelamento, mas destacou a necessidade de se abordar o assunto com serenidade. “Isso tem que ser colocado com muita tranquilidade”, afirmou. Ele já havia notificado a Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco, que tradicionalmente apoiam o evento, sobre a decisão de não realizar a montagem. Segundo Castro, a principal razão para a suspensão foi a falta de condições adequadas para a realização de um espetáculo desse porte.
“O público não merece uma coisa ruim. A primeira função do artista, aliás, é a qualidade. Estamos trabalhando esses aspectos para voltarmos muito mais fortes em 2027”, explicou, refutando rumores de desavenças com as autoridades públicas. Ele enfatizou que o apoio financeiro obtido neste ano não era suficiente para cobrir os custos da produção. Como alternativa, a equipe planeja buscar novos patrocinadores nos próximos meses e adiar a apresentação, visando inovações em figurinos, cenários e até mesmo mudanças no texto da peça.
Um Breve Histórico da Paixão de Cristo no Recife
A tradição da Paixão de Cristo no Recife começou em 1997, com o icônico ator e diretor José Pimentel, que por quase quatro décadas interpretou o papel central de Jesus. Inicialmente encenada no Estádio do Arruda, a peça rapidamente encontrou seu lar no Marco Zero, onde se tornou um marco cultural da cidade.
Após a morte de Pimentel, em 2018, o evento enfrentou desafios, incluindo disputas entre seus herdeiros e demais organizadores. Em 2019, a peça passou a ser chamada de “Jesus, a Luz do Mundo”, com direção de Carlos Carvalho e estrelada por Bruno Garcia. A pandemia de Covid-19 interrompeu as apresentações por dois anos, levando a uma adaptação audiovisual em 2022.
No ano seguinte, o espetáculo foi apresentado no Teatro Luiz Mendonça, com Asaías Rodrigues no papel de Jesus, e finalmente retornou ao Marco Zero em 2024 e 2025, reafirmando sua importância na cena cultural pernambucana.

