Carnaval como Palco de Conflitos Políticos
A tradicional folia de Momo em Pernambuco se transforma, neste ano, em um verdadeiro campo de batalha pela visibilidade política entre os pré-candidatos ao governo estadual. A governadora Raquel Lyra, do PSD, e o prefeito do Recife, João Campos, do PSB, já mostram uma polarização evidente que pode culminar em um embate nas urnas em outubro próximo. As movimentações políticas que antecedem o Carnaval indicam que a rivalidade entre eles está mais acirrada do que nunca.
Recentemente, a disputa se intensificou. No mesmo dia em que João Campos apresentou a programação do Carnaval no Recife, evento que pode ser seu último como prefeito, Raquel Lyra lançou uma campanha publicitária do Carnaval estadual, inspirada no filme “O Agente Secreto”, que está concorrendo a quatro categorias no Oscar. Essa coincidência de datas não passou despercebida e reflete a importância política da festa para ambos.
Simbolismo do Carnaval para a Política
O cientista político Alex Ribeiro ressalta que o Carnaval possui um simbolismo significativo dentro da cultura pernambucana, sendo visto como um ativo político essencial. “O Carnaval vai aparecer em rede nacional e, por vezes, internacional. Um político sabe desse alcance e busca criar uma associação direta com as tradições locais e a participação popular. Isso se torna um capital simbólico bastante relevante”, explica.
A presença dos políticos durante as festividades também serve como um termômetro de popularidade. Além de reforçar alianças políticas, participar dos desfiles e eventos é uma maneira de demonstrar força e articulação política. Para Ribeiro, a interação com outros políticos, locais e nacionais, é crucial, uma vez que a mídia, tanto tradicional quanto digital, proporciona uma visibilidade que amplifica cada ato político.
A Importância do Galo da Madrugada
Eventos com grande apelo popular, como o desfile do bloco Galo da Madrugada, considerado a maior agremiação carnavalesca do mundo, tornam-se praticamente obrigatórios para qualquer gestor público. “O Galo é um evento que, independentemente do ano eleitoral, é a obrigatoriedade de qualquer gestor, seja ele prefeito ou governador. A presença é significativa e a mídia não deixa de registrar”, afirma Ribeiro.
Além disso, a gestão da festa em si é um aspecto que os políticos costumam explorar. Eles buscam demonstrar eficiência na organização do Carnaval, com segurança e atrações culturais que atendam ao gosto da maioria dos foliões. Os gestores veem isso como uma oportunidade de mostrar resultados e a capacidade de alavancar a economia local durante o período festivo.
Estratégias e Limitações dos Gestores
A aproximação do pleito eleitoral também se reflete na capacidade de circulação dos gestores pelos principais polos da folia. A governadora Raquel Lyra, por estar no cargo, possui liberdade para se deslocar por todo o estado, potencializando sua visibilidade. Em contrapartida, João Campos, embora supervise uma festa de grande visibilidade nacional, está limitado à sua cidade. No entanto, ele ainda tem a possibilidade de aceitar convites de aliados em outras cidades, o que pode ampliar sua presença.
A Imagem Política e o Carnaval
Apesar de toda a relevância do Carnaval, Alex Ribeiro enfatiza que a festa, por si só, não é suficiente para construir uma imagem política positiva duradoura. “O Carnaval é forte no início do ano eleitoral e ajuda a facilitar o reconhecimento de lideranças, mas a continuidade da construção da imagem é crucial. Após a folia, os gestores ainda têm seis meses até a eleição, o que exige um esforço contínuo”, alerta Ribeiro.
Diante desse cenário, o Carnaval de Pernambuco se revela não apenas como um momento de celebração cultural, mas também como um terreno fértil para disputas políticas que podem moldar o futuro do estado.

