Explorando o Legado Musical de Canhoto da Paraíba
Francisco Soares de Araújo, mais conhecido como Canhoto da Paraíba, é um nome que ressoa fortemente na música brasileira. Nascido no sertão de Princesa Isabel, na Paraíba, ele veio de uma família musical, onde o avô tocava clarinete e o pai, violão. Seu talento excepcional como violonista é inquestionável, e seu estilo inovador de tocar o violão – que ele girava em vez de inverter as cordas – deixou uma marca indelével na música brasileira.
No entanto, a data de seu nascimento sempre gerou controvérsias. Muitos acreditam que o artista nasceu em um 19 de março, mas quanto ao ano, as opiniões divergem. Algumas fontes afirmam que foi em 1926, outras em 1927, e há ainda quem defenda 1928. Uma versão, talvez a mais confiável, sugere que Canhoto himself indicou 1929 como o ano correto. Assim, com o centenário de Canhoto se aproximando, a incerteza sobre sua data de nascimento levanta questões sobre as homenagens que ele merece.
Canhoto faleceu em 24 de abril de 2008, na cidade de Paulista, em Pernambuco. A falta de clareza sobre sua data de nascimento torna o centenário uma data indefinida, com algumas fontes sugerindo 2026 como o ano significativo. Essa dúvida, embora possa parecer trivial, dificulta os tributos a um artista que encantou grandes nomes da música, como Jacob do Bandolim e Radamés Gnattali, além do sambista Paulinho da Viola, que homenageou Canhoto com a composição ‘Abraçando Chico Soares’, lançada em um álbum de 1971.
Um detalhe curioso é que, apesar de ser canhoto, Canhoto da Paraíba não fez a inversão das cordas do violão, mas sim girava o instrumento para tocar. Sua abordagem única trouxe um toque nordestino característico em suas composições, que incluíam choros e valsas, criando um estilo que não se via em outros violonistas da época.
Mesmo após sua morte, o legado de Canhoto ainda ecoa na música brasileira. No entanto, sua carreira sofreu um duro golpe em 1998, quando um acidente vascular cerebral (AVC) limitou sua capacidade de tocar. Esse evento marcou o fim de uma trajetória profissional que começou em 1952, inicialmente em João Pessoa e, posteriormente, no Recife, Pernambuco.
Foi na capital pernambucana que Canhoto se destacou como um violonista autodidata, embora seu reconhecimento nacional tenha chegado apenas em 1977, quando Paulinho da Viola lançou o álbum ‘Canhoto da Paraíba – O violão brasileiro tocado pelo avesso’. Este álbum foi um divisor de águas na carreira de Canhoto, levando sua música a um público mais amplo e assegurando seu lugar na história da música brasileira.
À medida que nos aproximamos de seu centenário, a dúvida sobre sua data de nascimento levanta a questão: como podemos homenagear um artista de tal gabarito? O que sabemos é que Canhoto da Paraíba continua a ser uma figura icônica na música, e seu impacto será sempre lembrado, independentemente das controvérsias que cercam sua vida. Portanto, é essencial que sua obra seja celebrada e reconhecida, contribuindo para que as futuras gerações conheçam sua contribuição para a música brasileira.

