quinta-feira 23 de abril

Preferências dos Consumidores no Centro do Recife

Uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Franssinetti do Recife (Unifafire), em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Recife), revelou que 65,1% dos frequentadores do Centro do Recife preferem comprar em lojas de rua em vez de shopping centers. O estudo, divulgado na última quinta-feira (23), entrevistou 536 pessoas entre os dias 23 e 27 de março, com o objetivo de identificar as tendências de consumo na região.

De acordo com Fred Leal, presidente da CDL Recife, a combinação de preços acessíveis e variedade de produtos destaca-se como os principais atrativos do Centro. “O preço é uma preocupação em tempos de renda reduzida e aumento do endividamento. Portanto, a competitividade do nosso centro comercial precisa ser reforçada para cativar tanto os antigos quanto os novos consumidores”, explica Leal.

Comportamento de Compra e Gastos Médios

A pesquisa também revelou que 29,1% dos consumidores gastam entre R$ 151 e R$ 300 durante suas visitas ao Centro do Recife. Esse dado oferece uma oportunidade para que os lojistas ajustem suas estratégias de preços, considerando que os fatores que mais impactam a decisão de compra dos clientes são: preço (45,3%), atendimento (21,5%) e promoções (12,7%).

Quando se observa o perfil do consumo, o setor de vestuário se destaca, com 55,6% das compras, seguido por calçados (36,6%), eletrônicos (20,7%) e alimentação (28,9%).

Métodos de Pagamento em Alta

Outra informação surpreendente da pesquisa diz respeito às formas de pagamento utilizadas no centro. O PIX se consolidou como a principal alternativa, utilizado por 38,1% dos consumidores. Contudo, o pagamento em dinheiro físico também é bastante significativo, com 28% de aceitação entre os compradores.

O professor Eduardo Aguiar, orientador da pesquisa e coordenador dos cursos de negócios da Unifafire, menciona que o uso crescente de dinheiro pode ser atribuído ao aumento do endividamento. “Muitas pessoas evitam o cartão de crédito por conta de dívidas acumuladas, e algumas lojas oferecem descontos para pagamentos à vista”, analisa Aguiar.

Desafios de Infraestrutura e Segurança

A pesquisa também apontou a infraestrutura do Centro como um ponto de atenção. Aproximadamente 61,6% dos entrevistados utilizam ônibus para chegar à área, mas 32,5% consideram o acesso às lojas insatisfatório. Para melhorar a mobilidade, a CDL Recife está trabalhando com a prefeitura na criação de uma linha de ônibus que circule pelo Centro.

Além disso, 49,1% dos consumidores expressaram preocupações em relação à segurança, classificando-a como insatisfatória. Em resposta, a CDL Recife iniciará o projeto “Rua Segura”, que será testado na Rua das Calçadas, visando a instalação de câmeras de monitoramento em funcionamento contínuo.

Necessidade de Transformação e Atração de Jovens

Fred Leal acredita que uma solução para a segurança no Centro é aumentar a ocupação da área. “Precisamos transformar o Centro em um bairro, incentivando as pessoas a residirem lá, o que traria um fluxo maior de pessoas”, argumenta. A parceria com o programa Recentro, da prefeitura, visa unir esforços em diversas áreas, como controle urbano e segurança, para proporcionar uma experiência de compra positiva.

Entre outras reclamações, destacam-se a limpeza urbana (63,2%), iluminação (20%), organização do comércio (39,2%) e falta de programação cultural (13,2%). A CDL Recife planeja implementar ações para tornar o Centro um espaço também voltado para passeios e atividades de lazer, ressaltando a importância do turismo e da cultura na revitalização da área.

Engajamento Digital e Conexão com Jovens

A pesquisa ainda revelou que menos de 2% dos frequentadores do Centro têm até 17 anos. Isso levanta uma preocupação sobre a dificuldade de atrair o público jovem, que prefere o comércio digital. “É crucial desenvolver estratégias que tragam os jovens de volta ao Centro do Recife, pois a faixa etária dos consumidores está envelhecendo e podemos perder essa clientela”, alerta o professor Eduardo Aguiar.

Ademais, 70,7% dos entrevistados nunca realizaram compras online em lojas físicas do Centro, o que indica que muitos comerciantes ainda não possuem uma presença digital efetiva. “As lojas precisam se adaptar ao ambiente digital e oferecer opções de vendas tanto físicas quanto online”, conclui Fred Leal.

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