Iniciativa da CEP para Fortalecer a Sinodalidade
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deu início, neste mês de fevereiro, à coleção “Caminhos de Comunhão”, que abrange 13 cadernos voltados à sinodalidade. Esses materiais têm como objetivo auxiliar as comunidades cristãs em Portugal na aplicação prática do Documento Final do Sínodo dos Bispos de 2024.
Elaborados pela Equipa Sinodal da CEP, esses subsídios surgem a partir das discussões do II Encontro Sinodal Nacional e estão inseridos na fase atual de recepção e implementação das diretrizes aprovadas em outubro de 2024. Os cadernos, inspirados nos “Cuadernillos de La Sinodalidad”, do Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe (CELAM), oferecem reflexões bíblicas, teológicas e pastorais, acompanhadas de exercícios de escuta e discernimento, tanto em âmbito pessoal quanto comunitário.
Os cadernos serão disponibilizados mensalmente em formato digital até fevereiro de 2027. O objetivo é proporcionar apoio aos dioceses, paróquias, movimentos e grupos para que assumam a sinodalidade como um “modo de ser e viver a Igreja”, promovendo uma verdadeira renovação pastoral.
Temas Abordados nos Cadernos
O primeiro caderno, que corresponde ao mês de fevereiro de 2026, traz como tema central “A sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja”. Nesta edição, serão abordados os fundamentos bíblicos, teológicos e eclesiológicos da sinodalidade, além de sua presença no Documento Final e no magistério do Papa Francisco.
Nos meses seguintes, os cadernos trarão uma variedade de temas relevantes. Em março, o foco será no caminho para uma Igreja que é, de fato, sinodal, explorando a sinodalidade sob diferentes aspectos: como estilo, processo e estrutura, além da relação entre conversão espiritual e reforma institucional. Já em abril, a discussão se concentrará nas relações entre a Igreja hierárquica e a Igreja sinodal, questionando se há tensões ou complementaridades e analisando aspectos como autoridade, serviço e corresponsabilidade.
O mês de maio será dedicado à abordagem de gestão e superação de conflitos dentro de uma Igreja sinodal. Aqui, o conflito será visto como um potencial “lugar teológico”, enfatizando a importância de mediação, escuta e reconciliação eclesial. Em junho, o caderno tratará do “sensus fidei” do Povo de Deus, destacando seus fundamentos, critérios e desafios, além de reforçar a necessidade de uma participação ativa e discernida.
Nos meses de julho e agosto, os temas continuarão a evoluir. O mês de julho será voltado para o discernimento comunitário, enfatizando sua importância como “coração da sinodalidade”, enquanto em agosto serão analisados os processos sinodais e a tomada de decisões, esclarecendo as distinções entre consulta, deliberação e decisão, além do papel da autoridade.
Perspectivas Futuras e Temas Finais
A partir de setembro, o foco dos cadernos se voltará para os ministérios na Igreja. O material deste mês abordará a sinodalidade em relação ao Batismo, carismas e serviços, além de discutir a necessidade de superar clericalismos e reducionismos. Outubro trará uma análise específica sobre o papel dos diáconos, explorando suas funções nas dimensões de diaconia, liturgia, Palavra e caridade, e suas potencialidades ainda pouco exploradas.
No mês de novembro, as reflexões se voltam para os presbíteros e bispos dentro de uma Igreja sinodal. O foco será a liderança sinodal, a colegialidade e a comunhão, bem como a conversão necessária no exercício do ministério ordenado. Em dezembro, o tema será a vida consagrada, com ênfase no testemunho profético, na capacidade de escuta e mediação, e na relação entre carisma e instituição.
Finalmente, em janeiro de 2027, o caderno abordará a sinodalidade em relação ao Direito Canónico, analisando as potencialidades do Código vigente e sugerindo direções para possíveis revisões e desenvolvimentos normativos. O ciclo culminará em fevereiro de 2027, com uma reflexão sobre a vocação dos leigos na Igreja sinodal, enfatizando a corresponsabilidade diferenciada, a participação ativa e a missão dos batizados na vida cotidiana.
Com essa proposta estruturada ao longo de um ano, a CEP busca fornecer às comunidades um recurso concreto que sustente processos de escuta, discernimento e decisão coletiva, fortalecendo a comunhão e renovando a missão da Igreja em Portugal.
