terça-feira 5 de maio

Desastres em Pernambuco: Quase 10 mil pessoas afetadas pelas chuvas intensas

Nos últimos dias, cerca de 10 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas devido às chuvas torrenciais em Pernambuco. O cenário é desolador em várias regiões, onde muitos enfrentam não apenas a perda de bens, mas também tragédias pessoais.

Um exemplo comovente é o resgate de uma bebê de apenas três meses em Olinda. A mãe, Dayane Maria Santos de Lima, relatou como seu irmão e primos conseguiram retirar sua filha, Mavie Cecília, e seu filho, Ravi Miguel, das águas. “Quando vi que ela estava sendo levada, eu disse: ‘Não, não, não. Não leva ela assim não’. O medo me consumia. Mas meu irmão estava confiante e disse que tudo ia dar certo. No fim, todos nós sabemos nadar e conseguimos salvar as crianças”, contou Dayane, que expressou o desejo de se mudar para longe de áreas propensas a desastres, já que cresceu enfrentando situações semelhantes e não deseja que seus filhos passem pelo mesmo sofrimento.

A tragédia não para por aí. Na Zona Norte da capital, um deslizamento de terra resultou na morte de três membros de uma mesma família, com o pai sendo a única sobrevivente. Janaína Soares da Silva, mãe e avó das vítimas, não esconde a dor que sente: “Não está sendo fácil para mim, para meu esposo e especialmente para Rodrigo, o pai das crianças. Ele perdeu tudo: esposa, filhos e a própria casa. Estamos todos vivendo na casa de terceiros, tentando encontrar um novo caminho após essa perda devastadora”.

Na zona rural de Timbaúba, a situação é igualmente crítica. Aproximadamente 2,5 mil pessoas permanecem isoladas em razão dos danos causados às pontes e estradas. As equipes municipais estão mobilizadas para restabelecer o acesso. Em Goiana, uma quadra de esportes foi transformada em ponto de acolhimento, recebendo doações de moradores e empresas locais.

Uma leve esperança surgiu com a retomada do fornecimento de energia elétrica e a chegada de água potável, permitindo que as famílias comecem a limpar suas casas. Para muitos, como o mecânico de refrigeração Jefferson Thomáz, que veio de João Pessoa em busca de emprego, a realidade é angustiante. Ele descreve sua situação: “Sair daqui o mais rápido possível é meu plano. Preciso equilibrar as contas e, se dependesse de mim, já teria saído hoje”. Apesar de ter perdido poucos pertences, ele reflete: “Não queria estar vivendo isso”.

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