segunda-feira 9 de março

Tecnologia Avançada para Prevenção

No mês que homenageia as mulheres, a Prefeitura do Recife apresenta uma iniciativa inovadora no combate à violência de gênero: a Clara IA. Essa nova ferramenta de inteligência artificial foi projetada para identificar precocemente mulheres em situação de risco de violência e feminicídio nas unidades de Atenção Básica da cidade. A ação destaca a importância da prevenção como um dos pilares da política municipal de proteção às mulheres, ampliando a capacidade do sistema público de saúde para detectar sinais de alerta antes que a situação se agrave.

A Clara IA é parte de um conjunto de estratégias que visam melhorar o atendimento às mulheres no sistema de saúde pública. Entre essas iniciativas, destaca-se o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife, um documento que orienta os profissionais da rede sobre como acolher, conduzir e notificar casos de violência de maneira eficaz.

Utilizando uma análise de dados clínicos e históricos de saúde, a Clara IA emite alertas a médicos, enfermeiros e dentistas quando detecta indícios de violência. Esses avisos são registrados diretamente no Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas de Saúde, permitindo que a equipe de saúde aumente a atenção e sensibilidade no atendimento.

Integração e Apoio às Vítimas

O nome Clara IA remete à Rede Clarissa, uma iniciativa da Prefeitura que se dedica ao acolhimento e proteção de mulheres em situação de violência. Esta ferramenta simboliza a união entre inovação tecnológica e políticas públicas voltadas para o cuidado e defesa dos direitos das mulheres.

O desenvolvimento da Clara IA é fruto de uma colaboração entre a Prefeitura do Recife, a Vital Strategies, uma organização internacional de saúde pública, e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O projeto analisou registros de 16 mil atendimentos de mulheres vítimas de violência nas Unidades de Saúde da Família ao longo de uma década. O cruzamento de dados do Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação) possibilitou não apenas identificar sinais de violência, mas também padrões de adoecimento frequentemente associados a essas vítimas.

Um dado relevante que emergiu da pesquisa é que, nos 90 dias que antecedem um episódio de agressão grave ou feminicídio, muitas mulheres buscam atendimento médico com mais frequência, frequentemente mencionando problemas relacionados à saúde mental. Essa descoberta ressalta a importância da Atenção Básica como um espaço essencial para a identificação precoce de situações de risco, além de oferecer um caminho para romper o ciclo de violência.

Capacitação e Ampla Implementação

“Atualmente, 75% das notificações de violência contra a mulher no Sinan provêm de prontos-socorros, enquanto apenas 1% é registrado na Atenção Básica. Estamos trabalhando para mudar esse quadro, pois a identificação inicial e o acolhimento qualificado podem transformar a vida dessas mulheres, ajudando a prevenir desfechos fatídicos”, afirma Luciana Albuquerque, secretária de Saúde do Recife.

Antes de ser expandida para outras unidades, a Clara IA passou por um projeto-piloto no Distrito Sanitário I, envolvendo três Unidades de Saúde da Família – Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar – incluindo uma equipe E-Multi. Durante essa fase, 62 profissionais foram capacitados para identificar e acolher possíveis vítimas de violência.

A partir de março, a ferramenta será implementada em mais 21 unidades de saúde, totalizando 541 profissionais preparados para atender mulheres em situações de violência, entre médicos, enfermeiros, dentistas e agentes comunitários de saúde, além de três equipes E-Multi.

Instrumentos que Potencializam o Cuidado

Quando a Clara IA detecta sinais de possíveis situações de violência e gera um alerta no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC e-SUS), os profissionais da Atenção Básica contam com instrumentos que potencializam o atendimento. O Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife, com 45 páginas, fornece orientações detalhadas sobre sinais clínicos, psicossomáticos e sociais que podem indicar violência, mesmo quando não expressos verbalmente.

Esse guia também organiza os fluxos de atendimento na Rede de Atenção à Saúde do Recife, detalhando os serviços disponíveis e equipamentos de referência para mulheres em situação de violência. Além de orientações sobre notificação compulsória, o material inclui instruções para o correto preenchimento da ficha de notificação de violência interpessoal e autoprovocada.

O guia está acessível em formato digital na biblioteca virtual da Escola de Saúde Pública do Recife e também está integrado ao sistema de prontuário eletrônico, o PEC e-SUS. Adicionalmente, os profissionais da rede contarão com suporte de teleconsultorias na Saúde Digital do Recife, permitindo tirarem dúvidas sobre casos suspeitos através do Conecta Zap ou telefone.

Com a implementação da Clara IA e as novas ferramentas de apoio, Recife consolida seu compromisso no combate à violência contra a mulher como uma prioridade na política pública, apostando em inovação e na capacitação profissional para oferecer um atendimento mais humano e resolutivo.

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