Uma Nova Era para as Mulheres nas Forças Armadas
O Exército brasileiro fez história ao indicar a coronel Claudia Lima Gusmão Cacho para a patente de general de brigada, marcando um importante passo na inclusão feminina nas Forças Armadas. Essa promoção, que ainda precisa da confirmação por decreto do presidente Lula (PT), representa a primeira vez que uma mulher alcança tais patamares no Exército, que é considerado o segmento mais alto da hierarquia militar.
A decisão ocorreu na última quarta-feira (24), durante uma votação secreta realizada pelo Alto Comando do Exército, composto pelo comandante da Força, general Tomás Miguel Paiva, junto a outros generais de quatro estrelas. A coronel, natural do Recife (PE) e com 57 anos, é pediatra e mãe de duas filhas, além de ser casada com o general de divisão Jorge Augusto Ribeiro Cacho.
Claudia ingressou no Exército em 1996, inicialmente como oficial temporária no 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, localizado em Goiânia. Em 1998, completou o Curso de Formação de Oficiais Médicos na Escola de Saúde do Exército, que havia começado a aceitar mulheres em sua primeira turma no ano anterior, em 1997. A exclusão das mulheres das patentes mais altas foi uma realidade até 2012, quando ocorreu uma mudança significativa nas diretrizes, permitindo que elas pudessem ascender aos postos do generalato.
Nos últimos 30 anos, Claudia Gusmão desempenhou papéis importantes, como chefiar o Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar e atuar como subdiretora de Legislação e Perícias Médicas na Diretoria de Saúde. Ela também ocupou cargos em três hospitais militares do Exército, incluindo o Hospital de Guarnição de Natal (RN) e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Sua trajetória é marcada por diversas condecorações, entre elas a medalha da Ordem do Mérito Militar no grau de oficial, além da Medalha do Pacificador.
Dados divulgados pelas Forças Armadas brasileiras revelam que, em 2023, cerca de 13 mil mulheres faziam parte do Exército, representando apenas 6% do total do contingente. Em comparação, a Marinha e a Aeronáutica contavam com percentuais mais elevados, de 11% e 22%, respectivamente. Essa disparidade aponta para um desafio ainda a ser superado na busca por igualdade dentro das instituições militares.
O ano de 2025 também foi significativo para a presença feminina nas forças armadas, com a eleição de uma mulher para a presidência do Superior Tribunal Militar (STM). A ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, que integra o tribunal desde 2007, tomou posse em março do ano passado e, em um discurso no mês de outubro, homenageou o jornalista Vladimir Herzog, vítima da ditadura militar em 1975, pedindo perdão a todos que lutaram e sofreram pela liberdade no Brasil.
A promoção da coronel Claudia Gusmão, além de simbolizar um avanço na inclusão de mulheres nas Forças Armadas, representa uma quebra de barreiras e um caminho para um futuro mais igualitário dentro das instituições militares. O impacto dessa mudança é significativo, não apenas na estrutura do Exército, mas também na percepção da sociedade sobre o papel das mulheres em cargos de liderança.

