sábado 13 de junho

Brasil e o Sorteio da Copa do Mundo 2026

Quando a FIFA realizou o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026, em 5 de dezembro do ano passado, a reação foi uma mistura de otimismo e cautela. O Brasil caiu em um grupo composto por Marrocos, Haiti e Escócia. Embora não seja um grupo considerado “tão fácil assim”, também não está entre os mais temidos da competição.

O Haiti, com pouca tradição em mundiais, aparece como o adversário menos conhecido e, em teoria, o mais acessível. Já Marrocos e Escócia são seleções com história e que apresentam desafios reais, embora, historicamente, a seleção brasileira nunca tenha sido derrotada por uma equipe africana em Copas do Mundo.

Histórico dos Confrontos e Expectativas

Desde 1974, quando o Brasil venceu o Zaire (atual República Democrática do Congo) por 3 a 0, passando por vitórias contra Argélia (1986), Camarões (1994 e 2014), Gana (2006) e Costa do Marfim (2010), a trajetória da Canarinho contra seleções africanas foi marcada por tranquilidade e gols. Em 1998, na França, o primeiro jogo da fase de grupos foi contra a Escócia, adversário que retorna na edição de 2026. Naquela ocasião, o Brasil venceu por 2 a 1, com um gol inusitado de Cafu, de costas, garantindo a vitória.

Também em 1998, o Brasil derrotou Marrocos por 3 a 0, com o jogo ficando marcado pelo primeiro gol de Ronaldo Fenômeno em Copas. Em 1982, o esquadrão comandado por Telê Santana aplicou um 4 a 1 contra a Escócia, com gols memoráveis de Zico e Éder, reforçando o histórico favorável contra esses adversários.

Novos Desafios e Preparação da Seleção

Apesar do passado positivo, a realidade atual é outra. O futebol mundial evoluiu e a camisa amarela não carrega mais o peso dos títulos antigos. O Brasil está há 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, e as conquistas consideradas “menores” também são escassas. O ciclo para 2026 foi marcado por instabilidade, com quatro treinadores diferentes, várias mudanças e uma falta de confiança evidente.

Neymar Jr., que poderia ser o líder dentro de campo, enfrenta problemas físicos e não tem treinado ou jogado com regularidade. A Seleção também sofreu com lesões importantes, como a do jovem Estêvão, de Rodrygo e de Éder Militão, afetando a preparação do time.

Estratégias Táticas e Dúvidas na Convocação

O técnico italiano Carlo Ancelotti, o primeiro estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa, enfrentou desafios para consolidar um sistema tático eficiente. Inicialmente, tentou o 4-2-4, mas sem sucesso. Em seguida, adotou o 4-3-3, buscando equilíbrio no meio-campo. A convocação inicial privilegiou zagueiros e atacantes, deixando o meio-campo com poucas opções. A situação foi agravada com o corte de Wesley, durante a preparação nos Estados Unidos, e a convocação emergencial do volante Éderson para reforçar a equipe.

Com tantas incertezas e a proximidade dos jogos, a Seleção precisa se preparar para superar as dificuldades e focar nos desafios que virão. O passado pode servir de inspiração, mas o momento exige atenção total à realidade atual do futebol brasileiro. A pergunta que ecoa pelo país antes da estreia é clara: “Será que vai?” — e a resposta só virá com o apito inicial e a atuação dentro de campo.

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