Desafios e Estratégias nas Entregas de Obras
À medida que se aproxima o ano de 2026, a política em Pernambuco não aguardará o Carnaval para acelerar os trabalhos. Com apenas um dia restante em 2025, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB) já demonstram disposição para intensificar suas entregas, garantindo assim um terreno fértil para a disputa eleitoral que se avizinha.
Desde o início de 2025, a preparação para as eleições tem sido uma constante na agenda política dos dois líderes, que fazem gestos claros para consolidar sua força em suas respectivas bases. Com a expectativa de um embate acirrado nas urnas, o foco agora é atender a demanda popular e evitar críticas de opositores.
João Campos e as Entregas Pendentes
O prefeito João Campos se vê sob pressão para entregar obras que acumularam atrasos durante sua gestão à frente da Prefeitura do Recife. Recentemente, ele reinaugurou a Ponte Giratória, um projeto que estava parado desde 2022, e também apresentará a primeira parte do Parque Eduardo Campos, cujo início das obras ocorreu no segundo semestre de 2023, com um cronograma inicial de 14 meses.
Críticas da oposição e revisões solicitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) em relação à demora das obras pairam sobre sua administração, aumentando a urgência para que ele cumpra as promessas feitas. Além disso, o Hospital da Criança, cuja entrega era prevista para dezembro de 2024, teve sua inauguração adiada para o primeiro semestre de 2026 devido à ampliação do projeto, que inclui um centro de exames por imagem e tratamento para crianças com necessidades especiais.
Com 80% da obra concluída, o hospital contará com 60 leitos infantis, 18 especialidades e uma capacidade para quase 300 internações mensais. Campos ainda enfrenta desafios na Orla de Boa Viagem, onde o prazo para o trecho inicial foi estendido até setembro de 2026 devido a fatores climáticos e à complexidade do trabalho de drenagem.
Uma desvantagem que Campos possui é a necessidade de deixar a prefeitura em abril caso decida concorrer ao Governo de Pernambuco, o que lhe deixa com um tempo limitado para efetuar as entregas prometidas.
Raquel Lyra e suas Metas Ambiciosas
Por sua vez, a governadora Raquel Lyra também enfrenta a corrida contra o tempo. Com um plano de governo elaborado durante a campanha de 2022, ela deve acelerar suas ações para atender às expectativas do eleitorado. Embora tenha um tempo maior em comparação a Campos para realizar suas entregas, até julho de 2026, a pressão sobre sua gestão é considerável.
Raquel, que deve lidar com uma oposição mais robusta na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), liderada pelo deputado Álvaro Porto (PSDB), cotado como possível vice de Campos, se vê em um cenário complexo. A recente judicialização do projeto da lei orçamentária para 2026 acirrou ainda mais os ânimos entre os dois lados.
Entre os desafios, destaca-se a promessa da gestora de criar 60 mil vagas e construir 250 novas creches até o final de sua gestão. Na próxima terça-feira, ela fará a entrega da primeira creche inaugurada durante seu governo, um passo importante, mas que demanda um esforço significativo para alcançar a meta de mais de 20 creches mensais.
Compromissos e Desafios Futuros
Raquel reafirmou seu compromisso com as promessas em uma recente entrevista, desafiando a oposição a monitorar seus progressos com um ‘crechômetro’, que quantificaria os índices de entrega nos próximos meses. Embora a burocracia do processo tenha sido citada como uma razão para os atrasos, a governadora assegura que as dificuldades já estão superadas.
Além disso, Lyra se comprometeu a criar 300 cozinhas comunitárias até o final de 2025, entregando a 252ª nesta terça-feira. A governadora planeja também zerar as filas de cirurgias e exames de alta complexidade, reduzir em 30% os crimes violentos e avançar na universalização do saneamento até 2033.
Tanto Raquel quanto João estão, portanto, em uma verdadeira corrida para entregar mais habitações. A governadora prometeu a construção de 40 mil casas até 2026, com 17 mil já entregues até dezembro. A meta do Governo de Pernambuco é finalizar 10 mil unidades até o fim do próximo ano, um desafio que exigirá uma coordenação intensa das ações entre ambas as gestões.

