terça-feira 26 de maio

Redução de investimentos e impacto direto na saúde pública

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputados estaduais da oposição denunciaram um agravamento significativo da crise na saúde pública estadual, sob a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). Os parlamentares atribuem esse cenário preocupante à diminuição dos investimentos e à redução do número de leitos hospitalares na rede estadual, afetando diretamente o atendimento à população.

Segundo Sileno Guedes, presidente da Comissão de Saúde da Alepe, junto com Rodrigo Farias, vice-presidente da Assembleia, Diogo Moraes e Eriberto Medeiros, todos do PSB, Pernambuco registrou nos últimos anos uma queda aproximada de R$ 1,5 bilhão nos recursos destinados à saúde, além da redução de 226 leitos hospitalares. Essas informações foram apresentadas durante coletiva realizada na Alepe.

Hospitais enfrentam superlotação e precariedade estrutural

Os parlamentares também destacaram o fechamento de unidades hospitalares, o atraso nas reformas necessárias e a ausência de novos equipamentos essenciais para o funcionamento adequado dos hospitais estaduais. Visitas realizadas a hospitais como o Hospital da Restauração, Hospital Getúlio Vargas, Hospital Agamenon Magalhães e Hospital Otávio de Freitas revelaram situações alarmantes, incluindo superlotação, pacientes acomodados nos corredores, infiltrações, falta de iluminação adequada e denúncias sobre a presença de ratos e urina em áreas hospitalares.

Sileno Guedes explicou que o grupo decidiu aprofundar as investigações após o aumento das denúncias sobre o funcionamento da rede estadual de saúde. “O que nos traz aqui é o conjunto de denúncias, insatisfações e situações que vêm acontecendo na saúde pública em Pernambuco. A população que frequenta os hospitais sabe exatamente o que estamos falando. Os investimentos anunciados não estão minimizando o sofrimento das pessoas”, afirmou.

Consequências da redução orçamentária e fechamento de unidades

O deputado ressaltou que a atual situação é resultado direto da diminuição dos recursos e do fechamento de hospitais sem a devida compensação na ampliação da rede. “Quando você reduz orçamento, fecha hospitais e diminui leitos, o resultado é o que estamos vendo: superlotação, demora no atendimento, atrasos em exames, cirurgias e consultas”, explicou.

Como exemplo, os deputados citaram o fechamento do hospital de retaguarda no bairro do Bongi, no Recife, e do Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, após a inauguração do Hospital da Mulher. Essa substituição, segundo eles, comprometeu a capacidade de atendimento obstétrico na região. Diogo Moraes detalhou: “Se você somasse o Hospital Jesus Nazareno com o Hospital da Mulher, poderiam ser realizados cerca de 1.100 partos por mês. Mas o Jesus Nazareno foi fechado e o Hospital da Mulher realiza cerca de 400 partos mensais”.

Investimento de R$ 170 milhões não resultou em funcionamento

Outro ponto criticado foi o Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Paulista, adquirido pelo Governo de Pernambuco por cerca de R$ 170 milhões. Apesar do investimento, a unidade permanece fechada desde a compra, o que gerou críticas dos deputados. Rodrigo Farias comentou: “Encontramos 170 milhões que foram gastos para desapropriar um prédio há 9 meses atrás e esse prédio ainda continua fechado. Além do corte do investimento, ainda é um investimento mal feito, sem trazer resultado para o atendimento da saúde do povo de Pernambuco”.

Relatos preocupantes nas unidades visitadas

Durante a coletiva, os deputados apresentaram imagens e relataram condições precárias observadas em suas visitas recentes às unidades estaduais. No Hospital Agamenon Magalhães, foram encontrados quartos sem iluminação, pacientes trazendo ventiladores de casa por falta do equipamento, macas espalhadas nos corredores e pessoas aguardando atendimento por vários dias.

No Hospital Getúlio Vargas, Eriberto Medeiros destacou problemas estruturais e superlotação. “Vimos pacientes embaixo de goteiras, enfermarias superlotadas, acompanhantes dormindo no chão e pacientes esperando cirurgia há mais de 15 dias”, relatou.

Além disso, os parlamentares citaram um relatório técnico da Secretaria Estadual de Saúde que aponta risco estrutural e a presença de fezes e urina de ratos em área de armazenamento de equipamentos médicos no Hospital Agamenon Magalhães.

Encaminhamentos e perspectivas para a saúde pública estadual

Sileno Guedes informou que o grupo pretende encaminhar um relatório com todas as denúncias ao Ministério Público de Pernambuco, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e à Secretaria Estadual de Saúde, buscando respostas e providências.

“Constatamos que a conta não fecha. Se você reduz orçamento, diminui leitos e fecha unidades, o resultado inevitável é o colapso da saúde pública”, concluiu o deputado em coletiva à imprensa.

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