terça-feira 3 de fevereiro

O Impacto no Turismo Cubano

Em um dia ensolarado em Havana, um grupo de turistas desembarca de um ônibus e se apressa em direção a uma fila de carros clássicos, celulares em punho para registrar o momento. Perto dali, motoristas de táxis tentam captar a atenção dos visitantes, mas tudo o que recebem são algumas selfies rápidas antes que os turistas sigam seu caminho. Essa cena, uma vez vibrante, agora reflete a profunda crise que o turismo em Cuba enfrenta.

Nos últimos anos, o setor turístico da ilha viu uma queda de quase 70% no número de visitantes estrangeiros desde 2018. Apesar de ter sido um pilar da economia cubana por quase duas décadas, a pandemia de Covid-19, os recorrentes apagões e o endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos mudaram drasticamente o cenário. Com a economia em colapso, os cubanos que dependem do turismo estão entre os mais afetados, enfrentando uma situação de extrema dificuldade.

Recentemente, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou a suspensão temporária dos envios de petróleo para Cuba, o que pode aprofundar ainda mais a crise econômica da ilha, já alertada por especialistas. O ambulante Rosbel Figueredo Ricardo, de 30 anos, exemplifica os desafios enfrentados. Ele vende o popular ‘chivirico’, uma iguaria de massa frita polvilhada com açúcar, e costuma levar 150 pacotes para vender ao longo do dia. Hoje, a realidade é dura: ele frequentemente retorna para casa com sobras, às vezes não conseguindo vender nenhum.

Consequências Sociais e Econômicas

Figueredo, que é técnico em mecânica industrial, encontra-se na difícil posição de sustentar sua esposa e três filhos, além de um quarto bebê a caminho. Em busca de uma oportunidade, ele frequentemente se aproxima da embaixada da Espanha, onde dezenas de cubanos aguardam em busca de vistos para deixar a ilha. O cenário é desolador para muitos como ele, que sempre confiaram no turismo como uma fonte de renda confiável.

Historicamente, o turismo foi uma das principais fontes de receita de Cuba, gerando até US$ 3 bilhões anualmente antes da crise atual. Os visitantes costumavam encher as ruas, tirar fotos com os icônicos carros antigos e desfrutar de refeições em restaurantes movimentados ao longo do Malecón. No entanto, a realidade é bem diferente hoje: o famoso calçadão de Havana é dominado por casais cubanos e pescadores, enquanto os restaurantes à beira-mar permanecem vazios.

Dados recentes indicam que, de janeiro a novembro de 2025, apenas cerca de 1,6 milhão de turistas visitaram Cuba, um número alarmantemente baixo em comparação aos 4,8 milhões de 2018 e os 4,2 milhões de 2019. A queda acentuada nas visitas tem gerado preocupações entre os cubanos, que temem que a crescente tensão entre Washington e Havana, a escassez de água e energia, além do acúmulo de lixo em áreas turísticas, estejam afastando os turistas que ainda consideravam Cuba como um destino atraente.

Sanções e Impactos Econômicos

Em meio a esses desafios, as sanções dos EUA têm causado um estrago significativo na economia cubana, resultando em uma perda de quase US$ 8 bilhões de receita entre março de 2024 e fevereiro de 2025. Este valor representa uma perda de quase 50% maior em comparação com o período anterior. A situação exige respostas urgentes tanto em termos de políticas econômicas quanto na forma como o país lida com a comunidade internacional.

Sem dúvida, o turismo é uma parte vital da identidade e da economia de Cuba. As esperanças de uma recuperação diante de um cenário tão sombrio parecem distantes, mas há quem ainda acredite na capacidade do povo cubano de se adaptar e superar esses desafios. Para muitos, a sobrevivência em meio à crise dependerá não apenas do fortalecimento de laços diplomáticos, mas também de uma reavaliação das políticas que impactam diretamente a vida dos cidadãos cubanos.

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